Dentre as ofertas de serviço apresentadas pelos campings, o WiFi tem um peso alto, principalmente quando as famílias vem acompanhadas dos filhos, que não dispensam a conectividade. Aliás, o acesso à internet tornou-se moeda de troca, para convencer a garotada a passar alguns dias no camping ao lado da natureza.
Mas esse serviço funciona de fato? A minha experiência nas estradas e nos campings que tenho visitado, diz que não. E porque?

Um pouco de história e definições:
Início: O primeiro IPhone da Apple foi lançado em 2007. Já em 2008 a Google lançou o Android, sistema operacional gratuito que é atualmente o mais usado nos smartphones.
Smartphone: Oferece, além da nobre tarefa de fazer ligações telefônicas, diversos serviços de conectividade em tempo real, além de aplicativos de apoio e suporte ao usuário.
Dados: Em 2013, os smartphones responderam por 52% das vendas de celulares, com 225 milhões de unidades. Neste mesmo ano, os smartphones superaram em vendas, pela primeira vez na história, os celulares tradicionais.

Há alguns anos, o campista chegava no camping, com sua barraca, seu trailer ou MH, trazendo, no máximo, um notebook, para checar seus e-mails. Qualquer link de internet com banda de 2 MB dava conta do recado. Diga-se de passagem que o link de 2MB liberava não mais que uns 800K de banda real.

Hoje, além dos notebooks, em cada bolso você vai encontrar um smartphone, sedento de conectividade gratuita, para economizar o pacote de dados contratado. A primeira informação colhida na recepção, além das tarifas, é a senha do WiFi. Daí em diante, aplicativos como Facebook, Instagram, Gmail, WhatsApp, Twitter, DropBox, Navegadores, YouTube e muitos outros utilitários que necessitam de interação, drenam a minguada oferta de sinal. Multiplique-se isso por todos os visitantes e empregados, para se colapsar o prometido serviço.

Ora, vamos aos números. Vou pegar como exemplo o link de 2MB, que é a melhor oferta na área do Camping Clube Quinta da Barra, enquanto a NET não completa o tão esperado cabeamento. Lá temos 4 roteadores que propagam este fraco link pelo camping. Vejam o que ocorre quando o camping recebe meia carga de usuários (10 barracas, 50% dos mensalistas, 4 MH´s):
•    teremos, no mínimo, 40 inscrições solicitando banda.
•    como o recurso é grátis, todos deixam seus equipamentos, celulares e tablets on line.
•    nesta hipotética situação, cada inscrição vai obter 50 míseros Kbytes (alguém lembra do tempo dos modens de 33.6K?)

Contudo, como não há cuidado nas configurações destes roteadores, o usuário A, que alocar banda para assistir um filminho engraçado, ou o usuário B que resolver abrir  uma foto recebida pelo e-mail ou Instagram, vai retirar os já parcos Kbytes do usuário C ao lado.

Portanto, senhores proprietários de campings. Faz-se necessário configurar os roteadores, já que distribuem internet de baixa qualidade, para bloquear tocadores de vídeo e música, rádios on line, uploads ou downloads de fotos acima de 200Kbytes, em horários e dias específicos ou não. Com esta simples ação, vai-se garantir melhor distribuição de sinal.

Outro recurso que deve ser considerado é o de travar novas inscrições, quando um determinado número de usuários ativos for alcançado. É melhor ter 30 usuários satisfeitos, do que 120 irritados. É possível também, programar seu roteador para encerrar alguma inscrição que está inativa por determinado tempo, e liberar para outro usuário na fila.
Evite instalar roteadores que amplificam o sinal WiFi (também conhecidos como repetidores) pela área do camping. Prefira cabear à partir do link externo e aí sim, instalar os roteadores pela região a ser coberta, com boas antenas (sugiro não ultrapassar 9DBI´s) (*)

Mas a melhor medida é aquela que agrada a todos. Não criar limitações de uso e sim, melhorar o serviço, aumentando a banda ou contratando mais de um link. Todos querem mostrar onde estão, enviar fotos e filmes de suas experiências. No final das constas, estarão fazendo um marketing muito forte do lugar e por sua vez do camping.

Estive, neste final de ano, em quatro diferentes campings que ofereciam internet sem restrições. Destes, 3 foram classificados como sofrível neste quesito. O quarto da lista parecia bem, mas estava vazio de usuários.
Está mais que na hora de contratar melhores planos e chamar o “rapaz da informática”, para configurar corretamente suas redes.


* para entender um pouco sobre o assunto DBI´s leia este artigo.

 

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Colunista: Carlos Paiva
Carlos Roberto Paiva tem 59 anos, é analista de sistemas quase se aposentando, natural do Rio de Janeiro. Montanhista entusiamado. Mora com a esposa Gleidys em Teresópolis, no Camping Clube Quinta da Barra, onde além de seu trailer fixo, estaciona sua Camper Duaron. Apaixonados por viagens, lugares e culturas novas, estão na estrada e nos campings há mais de 22 anos juntos. Editam os blogs Nas Estradas do Planeta e Cozinha Prática nas Estradas. nasestradasdoplaneta@gmail.com nasestradasdoplaneta.com.br, cozinhapraticanasestradas.com.br