Viajar de fato é uma arte.

Segundo um dito popular: “o melhor da festa é esperar por ela”.

É fato.  A viagem começa quando iniciamos seu planejamento, pesquisando, conversando, ouvindo opiniões, discutindo com amigos e família.  É divertido.

Um bom planejamento é a certeza do sucesso, principalmente em viagens para o exterior.

Cadernos de turismo de jornais, revistas de viagens, reportagens na tv, conversas com amigos geralmente despertam nosso desejo para conhecer determinado destino turístico.

Aí é definir o destino e o itinerário, principalmente se a viagem é por via rodoviária.  Sou suspeito para opinar pois nossas viagens, minha esposa e eu, são sempre nas estradas, mesmo no exterior.  É a melhor forma de conhecer uma região ou país e se integrar com as comunidades.

Definido o destino o primeiro passo é comprar um bom guia turístico dos locais a serem visitados e mapa rodoviário.  No Brasil, sem duvida, o mais completo guia é o Quatro Rodas.  Na América do Sul existem três bons guias produzidos no Brasil – “Guia Viajante Chile”, “Guia Viajante Argentina” e o mais recente, “Guia Viajante America do Sul” editados por Zizo Asnis.  Entre os vários guias estrangeiros em português, na minha opinião o melhor é o “Lonely Planet”, que oferece opções econômicas de alimentação e hospedagem com informações bem completas.  Outros são o Fodors, Rough Guide, Frommers.

Livros também são atraentes fontes de informação.  Recentemente li “10 lugares mágicos de la Argentina – Historia e cuentos”, escrito por uma advogada e uma historiadora.  Interessantissimo.  Destaca destinos descrevendo os locais e apresentando contos baseados em fatos historicos.  Alguns, como Mendoza, Cordoba, Missiones, já havia visitado, mas despertou minha curiosidade por outros como o norte argentino.

Mesmo que a viagem não seja de auto, mapas são essenciais, sejam rodoviários ou das cidades.  Na internet existem vários programas com mapas turísticos de cidades para os que viajam com tablets e smartphones.  Mas nada de desprezar folhetos e mapas de papel – nem sempre temos wi-fi disponível.

As revistas de viagens e pesquisas na internet permitem a elaboração de um bom roteiro de viagem.  É essencial definir seu destino e a partir daí avaliar o que de mais interessante deve ser visitado.  Essa escolha vai depender da gama de interesses de cada viajante.  Uns gostam de arte e visitar museus, outros de atrações turísticas, espetáculos artísticos, gastronomia, natureza, ou um mix diversificado.  Mas com frequência os planos vão mudando no decorrer da viagem, na medida em que nos integramos com as comunidades e recebemos dicas e opiniões. Nada de rigidez.  Devemos estar abertos a eventuais alterações.  É por aí que conhecemos lugares que nunca imaginamos, pois nem sempre são acessíveis a turistas, e muitas vezes não estão nos guias.

Lembro-me de uma vez em Lisboa que fomos a uma casa de fados indicada por um guia de turismo, ao qual recomendamos que gostaríamos de ir a uma casa típica sem movimentação de turistas.  Com surpresa, pouco depois chegaram levas de turistas.  Comentei que haviamos sido mal orientados, mas um casal português na mesa ao lado disse que após as 22 horas a turma iria embora e aí iriamos ver o verdadeiro e autentico fado.  E assim foi.  Ficou apenas o grupo de clientes tradicionais e uma apresentação intimista dos músicos e cantores, até de madrugada.  Espetáculo inesquecível.

Na Argentina, visitamos uma pequena cidade de colonização irlandesa – Gaiman – com três casas de chá autenticas, onde turistas não vão, só os da comunidade.  Experiência deliciosa. Dica de argentinos.

No litoral do Rio Grande do Norte, há anos atrás, fomos conhecer um lugarejo muito pouco conhecido na época – hoje destino turístico badalado – sugerido por amigos.

Chegando lá era apenas a rua principal com asfalto e as demais de terra.  Estacionamos o motorhome na beira da praia.  Praia linda, poucas casas e um restaurante simples.  Nada que sugerisse mais de dois dias de estadia.  Afinal nos instalamos, integramos com a comunidade e foi uma estadia de 10 dias maravilhosos.  São Miguel do Gostoso hoje está com várias pousadas e restaurantes atraindo turistas inclusive da Europa.

Foram visitas sem planejamento prévio, mas por indicações locais.

Então, planejar e se informar previamente é importante, mas vale a pena estar aberto a improvisações.

Luiz Edgar Tostes

 

 

COMPARTILHAR
Colunista: Luiz Edgar Tostes
Administrador, diretor da ABRACAMPING, membro do grupo de caravanistas “Gaviões do Planalto”. Campista desde 1970. Além do Brasil, já viajou de motorhome nos EUA, Europa e parte da América do Sul. leptostes@gmail.com