O processo de desmontagem do CCB ganhou mais uma manchete. Lá se foi o CCB PB-01, na praia do Seixas, João Pessoa – Paraíba. Pode parecer um assunto batido, mas é de extrema relevância para nós

Quando eu e minha esposa saímos para uma viagem, sempre priorizamos nossas paradas em campings e, sempre que disponível, numa unidade do CCB. Visitamos 12 deles nos últimos 2 anos e nas conversas com os guarda campings percebemos o profundo descaso com algumas unidades. É o caso, por exemplo, do CCB-PR03 em Curitiba, que não conta com qualquer suporte da entidade. Sem luz e água em nossa última visita em agosto 2014.

O interesse imobiliário sobre as unidades do CCB também é fator determinante para a sua liquidação. As áreas privilegiadas de algumas instalações do CCB, são tentação constante e fruto de “lobby” intenso.

Na década de 80, por um infeliz e estúpido erro de tradução da lei de trânsito americana, os proprietários de trailers e até de carretas barraca, desistiram do campismo, largando no tempo seus equipamentos, dando origem aos “roda-quadrada” que, hoje, ajudam a cobrir os custos fixos de muitos campings Brasil afora. Em paralelo, também desapareceram as fábricas. Duas décadas. Esse foi o tempo, suficiente, para que todos os esforços fossem drenados, restringindo o campismo e o caravanismo a alguns aficionados.

Finalmente, em 22/07/2011, caiu a exigência da CNH E para rebocar trailers e D para motorhome até 6000kg, sendo suficiente a habilitação B. Quem vive no meio, percebeu o aquecimento do comércio e o reaparecimento de fábricas de MH´s, trailers e campers (presentes, quase que exclusivamente, no sul do país).

Os campings não responderam com a mesma velocidade à essa retomada. Vejo muitos MH´s dando preferência a estacionar em postos de gasolina, pátios de prefeitura e praças, sob a alegação de que os campings não estão preparados, ou tem custos altos, ou não estão tão bem localizados. Em consequência, por não ter público, os campings não fazem investimentos e para se manter, rateiam seus custos fixos pelos poucos frequentadores.

Precisamos interromper essa “corrida atrás do rabo”. Campismo não se restringe a veículos de recreação. A comunidade que aprecia acampar com sua barraca, vem demonstrando muita força, produzindo inúmeros eventos de confraternização, dando grande estímulo para a revitalização de campings na região de SP, SC, RJ e RS.

Salvo os grandes eventos, onde se juntam mais de 100 VR´s, temos muitos campings com condições de hospedar pequenos e médios encontros. Estes mesmos campings estão abertos a negociar valores de diárias, que sejam adequados aos dois lados. Estão dispostos, também, a investir em melhorias, que em parte serão cobertas com a receita do próprio evento. Este é o círculo “virtuoso” que precisa ser incentivado. A força do conjunto, do grupo, produzindo efeitos positivos por onde passam.

Acompanhei algumas discussões neste mérito, que estão totalmente fora da realidade. Um MH não pode pagar diária de barraca, ainda mais com os atuais custos de energia. Em contra partida, um camping não pode cobrar R$10,00 ao dia por energia. Os relógios individuais são uma ótima solução, mas requer algum investimento inicial, que nem sempre está disponível. Precisa imperar o bom senso.

Temos a facilidade de dormir numa praça sim, mas reduzimos nossa segurança pessoal e nos afastamos da natureza latente dos campings. No meu ponto de vista, pernoitar dentro de um posto de gasolina ou numa rua ou praça, está ligado à urgência ou à completa falta de opção.

Finalizando, o campista no Brasil, ainda não é visto como um turista, como uma fonte importante de transferência de renda. Culturalmente, permanece aquela visão do viajante mochileiro, que se desloca pedindo carona e que não tem dinheiro para suas despesas. Só aqui mesmo. No resto do mundo é uma atividade profundamente incentivada.

Salvo algumas exceções, as secretarias de turismo municipais e estaduais, ainda não perceberam que nós pagamos pedágios, gastamos combustível, visitamos pontos turísticos, contratamos serviços locais, apreciamos conhecer a culinária nativa, frequentamos padarias e supermercados e quando a experiência é boa, divulgamos e voltamos.

Fica aqui nosso pedido aos amigos campistas e caravanistas, que se esforcem por valorizar e dar preferência aos campings ainda em operação e que divulguem suas experiências, boas ou ruins, para os demais e em benefício do campismo.

No link a seguir, fazemos um pequeno relato de todos os campings que já visitamos. Nas Estradas do Planeta – Campings Visitados
Carlos Roberto Paiva

 

COMPARTILHAR
Colunista: Carlos Paiva

Carlos Roberto Paiva tem 59 anos, é analista de sistemas quase se aposentando, natural do Rio de Janeiro. Montanhista entusiamado. Mora com a esposa Gleidys em Teresópolis, no Camping Clube Quinta da Barra, onde além de seu trailer fixo, estaciona sua Camper Duaron. Apaixonados por viagens, lugares e culturas novas, estão na estrada e nos campings há mais de 22 anos juntos. Editam os blogs Nas Estradas do Planeta e Cozinha Prática nas Estradas.

nasestradasdoplaneta@gmail.com

nasestradasdoplaneta.com.br, cozinhapraticanasestradas.com.br