Área de Camping
 

Como funciona uma Área de Camping >> Antiga matéria do Guia de Camping 1979 » Ed. Artpress

Já vai longe o tempo em que numa gleba mais ou menos improdutiva, o cidadão mandava desenhar a palavra “Camping” numa placa que prendia a uma árvore, com isso enganando os campistas que passavam, de quem cobrava alguns cruzeiros por serviços não prestados e dos quais não tinha o mínimo conhecimento.

Os “espertos”, todavia, descobriram que o “negócio” era efêmero, que, dada a sua pouca capacidade, aquele não era mato para coelho de olho aberto e orelha pincha — como é o campií. y experiente de muitos lugares e estranhas gentes.

De alguns anos para cá, começaram a surgir verdadeiros empresários que souberam instalar áreas aprazí-»eis em lugares estrategicamente situados (turísticamente falando) e oferecendo completa gama de serviços aos campistas.

Muitas dessas áreas ultrapassam mesmo o que seria exigível e conseguem uma freqüência e ocupação altamente rentável, mercê de sua eficiente prestação de serviços, instalações mo-delares, gosto, atendimento, limpeza — tudo o que afinal resulta do empenho profissional adequado.

FRUTO DE CAPACIDADE E MUITO TRABALHO

É bom que os Campistas saibam, de antemão, de um pormenor importante: na maior parte das vezes, aquilo que encontram nesses Campings está tão intimamente ligado ao proprietário e representou tanto esforço e carinho, que faz parte de sua própria pessoa. Com bastante generosidade, ele põe tudo à disposição dos campistas e cobra uma justa taxa de ocupação. Desse modo, logo se estabelece um compromisso entre cam-pista e proprietário da área, a ser inteiramente respeitado.

As melhores e mais cuidadas áreas de camping costumam ser as que contam com a orientação do dono, geralmente um amante da natureza, amigo de animais e árvores, manifesto defensor do que pertence a todos e muito cioso no estabelecimento de um espírito de respeito de que, em geral, os bons campistas dão provas, o que não significa cercear a liberdade, a alegria e a festa de comungar com os elementos naturais. E é compreensível que assim aconteça.

6 — Guia de Camping
Camping Cabreúva (Itu)

Numa área organizada, o proprietário é generoso naquilo que oferece aos campistas. Os equipamentos pertencem a todos os campistas e servem a todos. Estes devem procurar estimá. los e cuidar deles. A boa utilização de equipamentos e serviços concorre para a harmonia da vida do camping.

O QUE É UM CAMPING ORGANIZADO

Camping é uma área vedada ou não, onde se garante certa segurança aos usuários e onde são oferecidos serviços de lazer e de apoio a esse lazer. Os usuários, normalmente campistas, pagam uma taxa previamente fixada pela prestação desses serviços e pelo direito de se locomoverem e freqüentar todas as instalações das áreas.

Os serviços oferecidos geralmente são de segurança, utilização de parte do solo para armar barraca ou estacionar trailer, fornecimento de água encanada, sanitários, banheiros, piscinas, utilização de rios, cachoeiras ou praias, fornecimento de eletricidade individualmente, utilização de salões ou galpões, churrasqueiras, mesas e bancos, uso de playground, quadras de esportes, cantina, mini-mercado e restaurante ou outras instalações eventuais.

O camping é tanto mais completo quanto mais serviços oferece, cobrando em função deles, quer as instala-ções sejam usadas na totalidade ou em parte. As áreas mais recentes — e no Brasil quase todas foram implantadas há poucos anos — existem tomadas de luz em número suficiente

para utilização de cada barraca ou trailer.

O número de sanitários num bom camping deve ser de 1 para cada 25 pessoas e o número de chuveiros de 1 para cada 20 pessoas. O conjunto restaurante, lanchonete e cantina deve ter capacidade para o atendimento simultâneo e rápido de 1/3 da população do camping. Já a área de terreno ideal para cada barraca, armamentos excluídos, deve ser de pelo menos 40 metros quadrados. Para um trailer, essa área sobe a 50 metros quadrados.

O número de lava-louças e lava-pra-tos tem que ser compatível também com a freqüência normal de sua utilização, de modo a não causar espera em filas.

Os restaurantes, cantinas ou lanchonetes têm preços equiparados aos estabelecimentos congêneres na região e a maioria serve o prato camping, comida comum, a preço reduzido.

NO CAMPING É PROIBIDO PROIBIR

A boa utilização de todos os serviços faz a harmonia da vida do camping. Saber servir-se bem deles depende muito dos campistas. Por exemplo, observando que os banheiros e chuveiros estão saturados às 7Camping Rio do Peixe, Lindóia (SP)

Não há como aproveitar de maneira melhor tudo o que as áreas de camping oferecem.

horas da manhã, procure utilizá-lo um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde. É uma solução mais prática do que reclamar, uma vez que é impossível ter um banheiro ou um chuveiro exclusivo para cada campista, homem ou mulher.

Embora os campings bons disponham de serviços de limpeza e conservação, com faxineiros sempre prontos, cuide das instalações como se fossem suas:

evite entupir pias e sanitários,

feche bem as torneiras,

não ligue cabos em mau estado à rede elétrica e antes de utilizá-la cer-tifique-se sobre a voltagem.

Não agrida companheiros de acampamento com palavras, sons estapafúrdios, jogos perigosos, correrias de bicicletas, escapamentos abertos, jogos violentos de bola, etc.

A excentricidade não tem lugar no camping onde proprietários e campis-tas são pessoas civilizadas.

Todo camping tem seu regulamento. Se não entrar em conflito com ele, você viverá no melhor dos mundos.

Existem áreas muito boas no Brasil, outras suficientes, algumas razoáveis e, também, umas poucas que não prestam. Mas estas, pela natural seleção dos próprios campistas, têm seus dias contados.

Algumas áreas oferecem até requintes de comodidades, como ótimos restaurantes, módulos para trailers e barracas com toda a estrutura básica privativa, campos de tênis e golfe, ci-
HAR^ACAC

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nema, salas de música, festas e discotecas privadas, piscinas de luxo, sauna, etc. Não há como aproveitar de maneira melhor o que esses empresários nos oferecem.

OUTRAS MODALIDADES DE ACAMPAMENTO PARA OS MAIS CONFIADOS

Há quinze anos atrás não havia no Brasil uma centena de campistas, existia apenas uma fábrica de barracas — que só com muita relutância concordava em retirar de sua produção, inteiramente destinada às Forças Armadas, uma unidade “para atender a um amigo meio andarilho e um pouco excêntrico” — e ningué.r cogitava sequer em abrir uma área organizada de camping.

No entanto, a tradição da aventura era muito grande neste país, começando naturalmente com as safraj Bandeirantes que possuiam razões fortes, e à época justificáveis, para se lançarem denodadam ;nte nos caminhos do interior.

O território nacional é dotado de vasta quantidade de atrativos sem paralelo em qualquer outro. As praias, os rios, os lagos, as cachoeiras e as montanhas convidam permanentemente. Do mesmo modo, as condições do clima, quente ou ameno, predispõem ao convívio com aqueles elementos. E como se tudo isso não bastasse, a exuberância da flora e da fauna, muito mais a primeira, é razão decisiva. Outro fator relevante foi o extraordinário desenvolvimento verificado nos últimos anos, em especial o dos meios de transporte, onde se incluem o da indústria de veículos e o do sistema rodoviário.

Assim, não é de admirar que tenha surgido tão depressa a onda do cam-pismo que a cada dia arregimenta novos adeptos e simpatizantes e em tão pouco tempo soube estruturar uma indústria das mais robustas que hoje compete na liderança com outras ce primeiro plano.

O QUE É CAMPING LIVRE

A modalidade de camping livre ce–mite o acampamento em que que- :-cal próximo a praias, vilas, cidades e rios, com apoio próximo. Eees; ras onde as autoridades per~ :e~ : pamento não oferecem c.í serviço nem segurança A aumss são parques da responsai: daós iss z~f-feituras e pouco mais têm do a* n

Guia de Caapung — ~
O QUE É CAMPING SELVAGEM

Já o camping selvagem ou rústico é aquele que se pratica em lugares afastados dos centro:. urbanos e longe de qualquer base de abastecimento. Esta é a modalidade de campismo que exige preparação mais cuidada e onde têm que ser pesados todos os riscos. Sua prática exige campistas experientes e munidos do necessário para ir e voltar sem maiores problemas. Pratica-se em grupo e não é aconselhável para crianças, seja pelas distâncias a percorrer, ou porque podem constituir um estorvo na ocasião em que seja necessário vencer dificuldades que, em maior ou menor número, sempre se apresentam. Espe-leólogos, alpiriistas, pescadores esportivos, naturalistas, geólogos, antro-pologistas e simples aventureiros sempre o praticam, uns por mero espírito de aventura, outros pelo gosto da pesquisa ou necessidade científica.

 

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