O maior perigo dos botijões pequenos de 2 ou 3kg (apelidados de liquinho) é a sua possibilidade de estouro por excesso de pressão. Ou seja, ele se rompe até sem origem de chama e então sim, ocorre a explosão do conteúdo em contato com alguma fonte ou fagulha e o oxigênio do ar.

Em ensaios de resistência à pressão, observamos que sua parede de aço é proporcionalmente mais esbelta (fina) que o botijão de 13kg e, surpreendentemente, sua pressão interna chega até a três vezes a do botijão grande. Isto graças ao pequeno volume de ar contido entre o gás líquido e a válvula, impedindo uma compressibilidade segura.

Outros motivos podem também ocasionar decorrentes explosões com estes botijões, tais como variação térmica (dilatação), aquecimento por fonte de calor muito próxima, tombamento,…

Possuímos cascos de dois “liquinhos” estourados; um deles abriu como uma flor e o outro rompeu na solda (cintura) tal uma laranja aberta ao meio. Constituem elementos contundentes quando palestramos sobre prevenção de incêndios.

Frequentemente sabemos de acidentes graves causados por estes pequenos botijões. No Parque Farroupilha (Porto Alegre) um “liquinho” de um carrinho de churros explodiu, ferindo seriamente 14 pessoas, algumas crianças. Em Caxias do Sul, numa festa familiar, provocou uma dezena de feridos e dois mortos, com a mesma causa.

Em alguns estados, a legislação já proíbe a comercialização destes, mas o desconhecimento e o ilícito “jeitinho” corrompe e submete aos riscos.

Darlou D’Arisbo
Ex Eng. Seg. Corpo de Bombeiros
Toledo PR

 

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