Acampar, para mim, sempre foi um imenso prazer e, como tal, constituiu uma importante parcela responsável pela minha evolução. Certamente é genético, pois ainda no século XIX, bem antes da invenção do automóvel, eu (ainda era um cístron) já acompanhava meus antepassados (em seu “hipomóvel” com um cavalo de potência).

Meus bisavôs com o seu trailer e depois, os avós (1889) com equipamento mais sofisticado

Então, em 1917, vovô (ainda com o mesmo suspensório e chapéu) construiu um motorhome no chassi de um Ford. Foi um sucesso, tinha até cortinas e bacia para banho de assento (eu ainda cabia nela).

Parecia um vagão de trem

Na época, já havia propaganda de equipamentos para acampamentos: toldos, cozinhas externas, acessórios… para o promissor mercado.

Cozinha externa e … dois quartos em 30 segundos

Em pouco tempo, titio improvisou uma barraca e assim saíamos aos finais de semana, enquanto o vovô viajava mais longe com a vovó em seu Fordinho, aquele que mais parecia um vagão de trem.

Família reunida

Aos poucos, foram se formando grupos, fazíamos encontros nas férias e eu já sabia fotografar. Abaixo, em primeiro plano meu cachorrinho Theodoris.

Tínhamos até um serviço de comunicações através de pombos correios (vatezape da época) para combinar nossas reuniões, sempre muito concorridas.

42 “hipo traileres” neste encontro

Os prazerosos encontros foram se ampliando e, nos anos 20, tínhamos equipe para organizar nossas reuniões, com dezenas de motor homes, traileres, barracas, cozinha centralizada e outras conveniências.  Na foto abaixo eu apareço na fila para o almoço.

Comida é fator de agregação

E, em 1930, papai construiu seu próprio motor home, sobre um chassi Chevrolet. Nesta foto o Theodoris faz pose sobre a cabine.  Em pouco tempo, teve de vender, por três vezes seu custo, graças ao pujante incremento do “motorhomismo” do período.

Theodoris faz pose sobre a cabine

Mas, em dois anos construiu um trailer, que acoplado a sua camionete International reunia o útil (veículo para trabalho) ao agradável (uma casinha móvel, com água encanada e fogão à querosene) e, obviamente, com mais cavalos a tracioná-lo.

Num destes acampamentos, no final dos anos 40, escolhi entre duas lindas irmãs a minha preferida companhia para todo o sempre.

Não foi uma escolha fácil

Logo após o meio do século, reunimos mais de duzentos RVs no nosso casamento, frente à igreja.  Foi uma festa tão maravilhosa que queremos repetir mais vezes (o casamento).

Quatro décadas depois, investimos nossas economias conjuntas numa camper, mais confortável e com oitenta cavalos.

4 x 4, importada (USA) com camper mexicano e pneus fora de estrada…

Então, na virada do século seguinte, eu completei minha manada com nada menos de 420 cavalos de um belo Mack Hiavell ICO.

Uma estória excêntrica, ficcionalística, intencionada apenas para relatar a evolução dos Veículos de Recreio e a fantástica satisfação de viajar neles.

 

Omnia mea mecum porto: (Latim: tudo o que possuo trago comigo)

 

Darlou D’Arisbo (Dan)

Since 1947

 

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