Conservatória é um ótimo programa para o próximo feriado ou final de semana. Um lugar tranquilo, diferente, histórico, com ótima opção de camping e próximo ao eixo Rio – São Paulo. Uma verdadeira volta ao passado na história do ciclo do Café e no Romantismo da música seresteira.

A cidade prosperou no famoso “ciclo do Café”. Eram centenas de fazendas produtoras da mercadoria que impulsionou a economia brasileira de meados do século XIX até 1930. Como o Brasil detinha praticamente toda a oferta mundial podia controlar os preços e garantir altíssimos lucros que eram concentrados no Vale do Paraíba – berço da economia cafeeira. O país reinou nestes anos áureos até a crise internacional de 1929, onde o produto considerado “supérfluo” teve sua demanda mundial enormemente diminuída. Tal declínio ofereceu ao futuro um grande destino histórico e arquitetônica nas preservadas fazendas e suas construções que até hoje são palco para o turismo e hotelaria do Vale.

Ilustração: Escravos negros na lavoura de Café, Tarsila do Amaral.

Conservatória é conhecida como “Cidade Seresteira”. A tradição pelas serenatas – músicas cantadas sob o sereno – veio desde o século XIX e fixou-se presente até os dias de hoje tanto na fachada das casas como nos circuitos seresteiros que ocorrem todos os finais de semana em suas ruas.

A Maria fumaça da antiga Rede Mineira de Viação puxava não só passageiros como também a produção cafeeira que vinha desde Minas Gerais até o Porto do Rio de Janeiro. Foi com o fim desta ferrovia após o declínio cafeeiro que a cidade se isolou do progresso. O asfalto só chegou nos anos 1980 e aqueles seresteiros ali permaneceram fiéis à tradição. A linha férrea ainda resguarda riquezas históricas fantásticas. Era ela que passava pelo atual “túnel que chora”, hoje servindo carros e pedestres, no viaduto “Ponte dos Arcos” sobre a rodovia ou mesmo no túnel aberto e escavado pelos escravos denominado “Túnel do Capoeirão”.

Maria Fumaça dos tempos do Café. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp
Túnel que Chora. Sem revestimento, era iluminado por lampiões. Brota água pura no interior. | Foto: Paula/Marcos Pivari

Túnel do Capoeirão – Feito por escravos para a passagem do trem. Rendeu muitas mortes na construção. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp
Interior do Capoeirão. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp
Serra da Beleza – passeios ao redor de Conservatória. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp
Ponte dos Arcos. Por ali passava a mesma linha de trem do Capoeirão. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp
Erguida em pedra, cal e óleo de baleia. Hoje não existem mais trilhos. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp

A cidade oferece programa suficiente para um final de semana ou feriado prolongado. O centro bucólico é pequeno e de ruas calmas que só ganham mais movimento nas noites de sexta-feira e sábado. Ali pode-se curtir bares, restaurantes e docerias. Há lojas de artesanato e produtos da região. Conheça o Museu Vicente Celestino, onde dentre uma montoeira de peças antigas você encontrará objetos raros de seu uso pessoal, além de muita história da música brasileira. Lá você ainda encontra diversos passeios eco-turísticos com empresas especializadas no acompanhamento e diversas fazendas do ciclo do café que possuem visitação e até mesmo hospedagem e gastronomia.

Museu Vicente Celestino. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp

Igreja Matriz de Santo Antonio. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp
Rua dos Restaurantes.| Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp

O Camping Serras Verdes está em uma localização privilegiada. A área de barracas e trailers é linda com um grande gramado e árvores frutíferas. Há bons banheiros, piscina, quadra, playground, chalés, restaurante, jogos, lago e sala de TV.

Camping Serras Verdes.| Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp
Instalações. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp

 

COMPARTILHAR

CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. “O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza.”