Uma jóia rara do mercado automobilístico nacional brasileiro: O modelo DEMEC CAMPING da Ford F-1000 modificada com versão “Camping”. Áureos tempos brasileiros cuja prática era muito popular.

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Fonte das fotos: Anúncio do OLX

A Demec Indústria Mecânica Ltda. foi fundada em 1977, em Diadema (SP), com o objetivo de fabricar carrocerias para caminhões e veículos militares. Dois anos depois passou a fornecer cabines para máquinas rodoviárias e caminhões fora-de-estrada e iniciou a conversão de picapes em ambulâncias, viaturas policiais e carros para o transporte de presos. Também produziu capotas de aço e, por encomenda do Exército, efetuou a adaptação de grande quantidade de jipes para receber armamento militar.

Em pouco tempo a empresa se especializou em dois produtos: carros-forte para o transporte de valores e transformação de picapes em veículos de lazer. Estes, inicialmente denominados Bronco e Potro, eram cabines-duplas com duas portas fabricados em chapa de aço sobre picapes Ford F-1000; mantendo a aparência do modelo original, recebiam novo para-choque com quebra-mato, pneu estepe montado na tampa traseira e seis assentos individuais com encosto para cabeça, reclináveis os da frente. Quanto aos blindados, geralmente eram montados sobre chassis Ford F-4000 e Mercedes-Benz 608. Com eles a Demec rapidamente ocupou importante posição no segmento: se em 1980, com 75 unidades vendidas, já era um dos principais fornecedores do país, dois anos depois já dominava 90% do mercado.

Aos poucos os carros foram se sofisticando, e em 1983 as picapes já podiam ser personalizadas, ganhando nova grade com faróis duplos retangulares. A partir daí novas versões foram sendo lançadas: a bonita blazer Potro, com grandes vidraças fixas na traseira (a antiga cabine-dupla Potro passou a chamar-se Travel); Cross, uma das primeiras cabines-duplas para a picape Volkswagen Saveiro, com nova grade na cor da carroceria e quatro faróis retangulares; e Camp (era a Demec aderindo ao modismo das janelas laterais “panorâmicas”), ganhando mais uma opção de grade, com faróis retangulares sobrepostos (no modelo anterior, que permanecia disponível, eram dispostos lado a lado). Conversões passaram a ser também oferecidas para Chevrolet Chevy 500, Ford Pampa e Chevrolet D-20 (esta chamada Panorâmica e depois Caddy). O acabamento, como usual nas transformadoras, era luxuoso: vidros verdes, faixas decorativas, rodas cromadas ou de liga leve, ar condicionado duplo, frigobar e estofamento de veludo.

Em 1987, a Camp recebeu retoques na grade, teve a altura da janela “panorâmica” aumentada e mudou de nome, transformando-se na Camping. Ao mesmo tempo foram criadas duas novas versões, mais “aventureiras”, com cores vivas, santantonio e bagageiro no teto, batizadas Agreste e Ipanema (esta mais equipada e com acabamento mais sofisticado). No final de 88, foi preparado um novo modelo para o XV Salão do Automóvel, o Firenze, sempre com origem nas picapes F-1000, porém dessa vez submetidas a alterações de estilo mais profundas (novo desenho do capô, para-choque dianteiro e grade em plástico moldado inspirados no Ford Escort, do qual também recebeu faróis e lanternas).

Poucos meses depois, numa iniciativa pouco lógica, a frente da cabine-dupla foi novamente alterada, mais uma vez ganhando capô, grade, para-choque e conjunto ótico (do Opala) totalmente novos. Recebendo largas faixas na base das laterais e para-choque plástico também na traseira, o modelo, batizado Firenze I, conviveu por mais de um ano com o Firenze. Com base no Firenze I (porém inexplicavelmente com capô diferente), foi também fabricada uma nova blazer, com capota mais larga, agora denominada Derby. Esta política algo caótica de lançamentos continuou em 1990, porém com uma novidade verdadeira: Tivoli (ou Primo, no ano seguinte…) a menor cabine-dupla do país, construída sobre a picape Fiorino, da Fiat.

Com a abertura das importações de automóveis iniciada com o governo Collor, o mercado de transformados encolheu, provocando forte impacto sobre a maior parte dos fabricantes. Embora tendo resistido por mais tempo do que a maioria da concorrência, a Demec não foi exceção. Seu enfraquecimento fica patente ao se analisar o material publicitário veiculado pela empresa no período: de anúncios de página dupla em 1987, cinco anos depois passa a pequenas inserções nas seções menos nobres das revistas, misturadas com propagandas de calotas e tapetes de borracha. Em paralelo a empresa procurou reconquistar parte do mercado de ambulâncias e carros-fortes, havia muito abandonado, oferecendo até serviços de “funilaria e pintura para sua pick-up“.

Para 1993 a Demec ainda preparou uma cabine-dupla para a nova picape Ford, com pequenas alterações estéticas – e significativamente não batizada. Não conseguiu porém sobreviver por muito tempo mais. Assim, apesar de ter ultrapassado a produção 50 unidades mensais nos momentos de maior pujança, a Demec não chegou à segunda metade da década de 90 e encerrou suas atividades como transformadora.

fonte do texto: http://www.lexicarbrasil.com.br/demec/

 

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CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. "O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza."