“Como você consegue se adaptar, depois de tantos meses no mar?”. Em seu novo relato sobre barcos e viagens, Amyr Klink confessa não conseguir deixar de se espantar com essa pergunta “típica de desmiolados que imaginam haver no mar tempo sobrando para fazer filosofia”. E basta singrar as páginas de suas novas memórias afetivas – um afeto por homens e barcos (nessa ordem, sem a menor dúvida) – para partilhar do espanto de um autor cada vez mais direto e incisivo ao discursar sobre suas paixões. A história em torno da qual giram as várias outras histórias deste livro é a da construção, lançamento e navegação do Paratii 2, “um barco simples como canoa e cargueiro como navio”. E a busca dessa simplicidade e dessa amplidão demanda um tempo que no mar é sempre escasso, um tempo que aflige enquanto não produz resultado, mas que permite armazenar na memória tudo que contribuiu para que o barco de Amyr fosse o mundo – repleto de tipos antológicos, apetrechos insuspeitados, como um “enganchador de moças” e “bichos peçonhentos” perfuradores de dedos aventureiros, e momentos de tensão em que dez segundos podem decidir o destino do navegador. O leitor acompanha o nascimento do interesse de Amyr pelos barcos, sua paixão pelas canoas de Paraty, as leituras desfrutadas no sótão e as histórias recolhidas pelo mar. Testemunha também as pesquisas, os testes e as viagens empreendidas para realizar o sonho de um barco capaz de passar anos inteiros nas terras geladas da Antártica e levar na tripulação crianças e suas fantasias infantis. O novo livro de Amyr Klink traz um barco como tema, mas o homem é o porto. E, como toda boa história marítima, tem até tesouro enterrado.

O Autor (Por Daniela P. Zaccarelli)

7Amyr Klink nasceu em 1955 na capital de São Paulo. Durante sua infância ele passava as férias em Paraty (R. J.) onde despertou seu interesse pelo oceano.    Desde 1965 ele coleciona canoas, as mesmas estão expostas no Museu do Mar de São Francisco do Sul em Santa Catarina. Amyr é economista, formado pela USP e tem pós-graduação em administração pela Universidade Mackenzie.

O esporte sempre esteve presente em sua vida. Foi remador pelo Clube Espéria entre 1974 e 1980. Em 1974 Amyr viajou para a Patagônia de moto. Em 1978 ele remou sozinho em uma pequena canoa de Santos á Paraty. Em 1980 ele velejou entre Santos e Salvador durante 22 dias em um Catamarã. Em 1982 ele velejou entre Salvador, Fernando de Noronha e Guiana Francesa. O objetivo foi pesquisar as correntes marinhas desta área para poder se preparar para seu primeiro projeto audacioso: A viagem solitária a remo pela passagem do Oceano Atlântico.

Em 1984 Amyr foi o primeiro homem a atravessar a passagem do Oceano Atlântico a remo sozinho. Ele deixou a Namíbia na África rumo a Salvador no Brasil. Ele passou cem dias e remou 7.000 km. Esta emocionante viagem pode ser lida no livro “Cem dias entre o céu e o mar”
Em dezembro de 1989 Amyr iniciou p projeto “Inverno na Antártica”. Nesta viagem o navegador passou 642 dias (22 meses) velejando sozinho. Ele cobriu uma distância de 50.000 milhas entre o Brasil e a Antártica a bordo do veleiro Paratii. Ele passou todo o inverno antártico (6 meses) preso no gelo e esta viagem está relatada nos livros “Paratii – entre dois pólos” e “As janelas do Paratii”.

    Em 1992 o aventureiro participou de uma navegação terrestre pela costa brasileira com mais 2 companheiros. Em 1993 ele refez este trajeto, porém agora em uma asa-delta motorizada.

    Amyr casou-se em 1996 com Marina Bandeira e e tem 3 filhas, as gêmeas Tâmara e Laura e a caçula Marininha. Em 1998 o navegador iniciou o projeto “Antarctica 360º”. Ele deu a volta ao mundo pela rota mais curta, porém mais perigosa do planeta, o circulo polar antártico. Durante 79 dias Amyr enfrentou os mais perigosos mares do sul totalmente sozinho a bordo do Paratii. O livro “Mar sem Fim” relata mais esta aventura.

Nos últimos 8 anos Amyr vem se dedicando ao seu mais novo projeto: a construção de uma barco de maior porte, o Paratii 2. Este novo barco é idealizado pelo navegador para ser uma plataforma de trabalho. Com ele, Amyr pretende dar a volta ao mundo por uma rota não convencional, pela passagem nordeste do Ártico, passando pela China e retornando ao Brasil em 2005. Desta vez, o navegador pretende levar tripulação.

 

COMPARTILHAR
CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. "O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza."