Relato de Primeiro Acampamento - Por Alexandre Magri
 
Nosso amigo recém campista Alexandre Magri enviou o relado de sua primeira acampada no litoral sul de São Paulo. Confira…

(envie você também a sua acampada)

            Na semana passada, imbuído pela vontade de passar o fim de semana em Guaraú, comecei a pesquisar preços de pousadas. Diversos e-mails enviados, muitos não respondidos. As pousadas que responderam forneceram valores absurdos de hospedagem, comparados com os melhores hotéis de São Paulo – o que em se tratando de Guaraú é um descalabro, superfaturamento total.

 
            Bem, na última vez que fomos para lá tínhamos visto que o Camping do Kojak dispunha de uns quartinhos para hospedagem, que no nosso caso é o ideal: afinal, quando viajamos só voltamos para a “base” para tomar banho e dormir. Então, tendo chuveiro e onde dormir, tanto faz. Nem eu, nem minha esposa e muito menos a nossa filha ligam pra isso.

 
            Pois bem. Eu liguei para o Kojak e ele me disse que o Guaraú tem ficado lotado aos finais de semana, que muito dificilmente ele teria um quartinho vago quando chegássemos. Aí ele falou de repente: “e por que vocês não ficam no camping?”. Respondi que “ah, nem barraca eu tenho!” Muito solícito, respondeu de pronto: “isso não é problema: eu empresto e monto a barraca para vocês!”

 

            Foi aí que eu me perguntei: “por que não?”. E ficou resolvido que iríamos para lá de qualquer jeito, e se não tivéssemos o quartinho ficaríamos na barraca emprestada. Animado com a ideia – e com vontade de reviver meus tempos de Escoteiro – comecei a vasculhar a internet atrás de dicas, informações e tudo mais. Encontrei o site do MaCamp e aí fiquei atiçado. Depois de ler muito, saí à compra das coisas básicas: colchonetes. No Wal Mart mesmo. Aí vi que tinha barracas lá também e resolvi comprar uma. Sabia que essas barracas não eram grande coisa quanto à chuvas, mas tudo bem: comprei também uma lona para fazer uma cobertura, outra para forrar a barraca por dentro, corda e um canivete. E fiquei pasmo com a quantidade de artigos para camping que existe hoje – coisas que nem sequer eram imaginadas na minha época de escoteiro, onde tudo tínhamos que adaptar ou criar a partir de sisal e bambu – e olha que não sou tão velho assim, tenho só 35 anos!

 

            Animadíssimo com o camping e ainda mais pelo fato de poder proporcionar uma “aventura” para nossa filha, que tem 8 anos e sonha em “ser bióloga, morar numa barraca no meio do mato para estudar os animais”, ficou decido que não iríamos para o Guaraú e sim para Barra do Una, ainda mais depois que obtive informações que Guaraú tem ficado parecido com o piscinão de Ramos…

 
Foz do Rio Una do Prelado / Foto: Alexandre Magri

            Bem, tralha toda conferida, mochila cargueira, bota tudo no carro e vamos embora. A estrada de Guaraú para Barra do Una não é muito agradável, mas é melhor assim: o acesso difícil deixa a aventura ainda mais gostosa e o lugar lá mais vazio.

 

            Escolhido o camping, montamos a barraca e fomos curtir a praia e, principalmente a foz do Rio Una do Prelado. Ah, que tarde maravilhosa! O Camping do Peder  estava praticamente vazio!

            À noite, uma tempestade se aproximou pelo mar. No silêncio total da madrugada, contávamos os segundos entre o relâmpago e o trovão para tentarmos ter uma ideia da distância, tamanho e deslocamento da chuva. A frente chuvosa era bem grande: estava entre 3 e 15 Km da costa e deslocou-se sobre o mar, não caindo uma só gota sobre nós. Mas trouxe uma ventania gostosa que nos refrescou dentro da barraca.

 

            Fiquei muito tempo ouvindo e prestando muita atenção no som dos trovões. É um som diferente do que estamos acostumados a ouvir na cidade: um som surdo, que muitas vezes eu confundia com o das ondas quebrando na praia. Ouvíamos primeiro o som do relâmpago e logo em seguida o seu eco nas montanhas atrás de nós. O vento mexia as árvores, as folhas, e o silêncio era tão grande que percebíamos nuances, sons diferentes a cada pé de vento que passava. Foi assim, dormindo numa barraca, sujeito a todos os elementos, que tive a certeza de que somos nada perante a Natureza. Que ela simplesmente não tem conhecimento de nossa existência. E que as coisas que costumamos dar valor são na verdade insignificantes. Na verdade, o som do silêncio (isso mesmo) e dos trovões nos seduziu!
 

            Foi uma experiência que todos deveriam ter ao menos uma vez na vida. E foi só o primeiro camping de muitos outros que virão! Com o tempo iremos aprendendo os macetes, comprando equipamentos melhores… E viajando cada vez mais!

Alexandre Magri
27/01/2014

 


 

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CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. "O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza."