Serra do Rio do Rastro, Urubici e Serra do Corvo Branco: Conheça a Serra Catarinense
 

Um Roteiro completo pra você que deseja conhecer as maravilhas da Serra Catarinense em continuidade à região dos Cânions do Rio Grande do Sul. Priorize Urubici e deixe em segundo plano São Joaquim e Urupema. Curta as maravilhas das mais espetaculares Serras rodoviárias do Rio do Rastro e do Corvo Branco. Parque Nacional de São Joaquim, Morro da Igreja, Pedra Furada, Cascata do Avencal, e muito mais paragens para se conhecer.

Quando falamos em Serra Catarinense já lembramos automaticamente de São Joaquim e Urupema. Ambas as cidades são muito divulgadas nos noticiários durante o inverno. Porém a região tem belezas muito mais espetaculares que estes pacatos municípios. Além disso, há controvérsias sobre os títulos de “cidades mais frias do Brasil”. Se quiser aventuras e/ou paragens e paisagens extraordinárias não deixe de priorizar a cidade vizinha de URUBICI – SC que envolve ainda as famosas Serras do Rio do Rastro e Do Corvo Branco.

Ainda na rota dos Cânions que vêm lá do Rio Grande do Sul, a Região agora em pleno Estado de Santa Catarina ainda carrega o relevo de desfiladeiros envolvendo duas serras de traçados sinuosos que vencem trechos extremamente íngremes. Está nesta rota a cidade de Bom Jardim da Serra, cume da famosa Serra do Rio do Rastro com acesso 100% asfaltado. Nosso conselho ao viajar para esta região é de se hospedar em Urubici que possui um número muito maior de atrativos turísticos e rotas turísticas e deixar para visitar Urupema e São Joaquim em um mesmo dia de passeio. É que estas cidades não possuem muito o que fazer.

Serra do Rio do Rastro:

A Serra conhecida por seu traçado sinuoso que serpenteia os morros íngremes principalmente no final do trajeto, compõe um cartão postal que muitos que o desconhecem nem imaginam que seja do Brasil. Saindo da baixada, mais precisamente de Lauro Müller, a estrada segue tranquila até iniciarem as fechadas curvas na íngreme Serra. A emoção bate rápido. Em algumas delas há pequenos refúgios que servem de mirantes que valem cada foto. É um ponto do relevo muito delicado em relação ao clima. Se você está pegando um dia totalmente aberto de sol agradeça aos céus. É que é comum a incidência de névoa bem no penhasco que envolve principalmente o mirante principal no final da subida. Já no município de Bom Jardim da Serra, entrando-se à direita antes do posto policial está um grande estacionamento servido de lojinhas e restaurante. Caso esteja tudo fechado de cerração, aguarde e não se surpreenda se num piscar de olhos o mundo se abrir em um céu totalmente limpo e ensolarado. O contrário também acontece.

A rodovia que serve este passeio especial é a SC-390. Ela segue até o município de Bom Jardim da Serra e lá mesmo no centro é possível acessar estradas de terra com destino a Ausentes e Cambará ou por asfalto para São Joaquim e Urubici. Aproveite para comprar queijos, salames, maçãs e outras iguarias típicas na beira da estrada no planalto.

Em nossa passagem pela região na Expedição Farroupilha, não demos sorte com a Serra do Rio do Rastro. A neblina e chuva nos acompanhou nas duas tentativas, uma delas em um dia totalmente aberto onde descemos a Serra do Corvo Branco que veremos mais adiante. A lembrança ficou da viagem no mesmo destino exatamente 10 anos atrás, quando nem imaginávamos que tal cenário aberto seria uma dádiva tão singular. Mas mesmo com tempo fechado e visão de alcance apenas nos primeiros trechos da subida, o visual é sempre inesquecível.

Vista do Mirante no primeiro dia de tentativa. Visibilidade zero e muita chuva. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Expedição Farroupilha MaCamp na Serra do Rio do Rastro. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Em nova tentativa 3 dias depois, partindo de Lauro Müller. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Curvas fechadas e caminhões abrindo a manobra. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Alguns pontos de parada na Serra. Pista estreita, mas nada problemático. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
As curvas da Serra do Rio do Rastro. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Traçado mais icônico da Serra visto de um dos pequenos mirantes. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Estacionamento dos pequenos mirantes na verdade são totalmente improvisados nas fugas das curvas.
O pedal é muito procurado na Serra. E não é só na descida não. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Curvas ainda mais fechadas aumentam a emoção. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Turistas ignoram as placas e alimentam os Quatis no Mirante da Serra. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Pasmem! 500m a frente, assim estava o dia sobre a neblina na cabeça da Serra. | Foto: Paula/Marcos Pivari.
Visual de 2005 da expedição anterior. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Visual de 2005 da expedição anterior. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.

Urubici:

A bela Urubici é “o destino” naquelas bandas. Passeios e atrativos para todos os gostos e perfis. A cidade é de fácil entendimento, praticamente com uma avenida principal e outra perpendicular que leva na direção do Morro da Igreja e da Serra do Corvo Branco. Em hospedagem há de tudo. Hotéis, pousadas e campings. Nossa escolha foi (e sempre será) o Camping Arroio do Engenho. Famoso por sua criação de trutas e pela cachoeira da neve, que leva este nome devido à formação de cristais de gelo no inverno oriundo das gotículas de água formadas na queda da água.

As Avenidas principais são servidas de vários mercados, padarias, restaurantes e lojas. Também há dois ou três postos de combustível (Vale pesquisar).

O famoso “Parque Nacional de São Joaquim” não possui áreas e nem centros receptivos definidos. É preciso rodar a região para avistá-lo. O Morro da Igreja é o ponto mais conhecido, mas todo o circuito ao redor margeia as áreas de proteção ambiental do parque.

Amanhecer em Urubici. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Macieiras da Serra Catarinense. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Inscrições Rupestres. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Cascata do Avencal. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Cascata do Avencal vista de cima. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Interior da Igreja de Urubici. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.

Morro da Igreja e Pedra Furada:

O passeio do Morro da Igreja é outro a ser feito nos primeiros dias, pelo risco iminente de névoa. A vista é espetacular com a “pedra furada” como centro das atenções da paisagem. A área é restrita à aeronáutica e por isso precisa de prévia autorização a ser retirada no ICMBio no centro de Urubici. Não arrisque ir sem, pois não passará da guarita. É um caminho longo por estrada asfaltada. Na data de nossa expedição (2015) estava com buracos medonhos que podem quebrar a suspensão fácil. Ande devagar principalmente nas juntas de dilatação da parte final da subida. No final do trajeto está o CINDACTA (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo). Por isso o acesso é restrito até o portão do órgão, o que não se perde nada em termos de vista.

Estrada de acesso – Cuidado com os buracos! | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Paisagens e atrações pelo caminho. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
CINDACTA II em operação no Morro da Igreja. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Cânions vistos do Morro da Igreja – Parque Nacional de São Joaquim. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Estaciona-se ao lado do CINDACTA no ponto mais alto. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Famosa Pedra Furada na paisagem. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Pedra Furada é a atração principal. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Desfiladeiros misturados à vegetação nos cânions brasileiros. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Toda a área é controlada pela aeronáutica. É preciso tirar autorização no ICMBio. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Mais uma da Pedra Furada. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.

Serra do Corvo Branco:

Discutivelmente dá pra confrontar a Serra do Corvo Branco com a do Rio do Rastro. Apesar de serem distintas em muitos quesitos, ambas são íngremes, com curvas fechadas e que vencem os desfiladeiros dos Cânions do Sul. Ela recebeu este nome devido à presença comum de uma ave de plumagem branca. Apesar de se tratar do “urubu-rei”, os habitantes locais na época desconheciam e achavam se tratar de um corvo branco. Há também a teoria de que há uma ponta de pedra no alto da Serra que se assemelha à ave de mesmo nome. O topo da Serra está na cota 1.740m de altitude e seu início vence o maior recorte rodoviário trincheiro do país, restando dois paredões laterais de 90m de rocha basáltica. Para completar os superlativos desta preciosidade, ali, mesmo em grande altitude ocorre uma das poucas aflorações do Aquífero Guaraní, o maior do mundo.

Durante a expedição Farroupilha, pudemos percorrer toda a Serra do Corvo Branco, porém só recomendamos para veículos 4×4 e a fim de aventura off-road. Diante de placas bastante incisivas de “trânsito interditado, não ultrapasse”, não havia absolutamente ninguém que pudesse nos indicar as verdadeiras condições daquela “ordem”. As informações que conseguimos na cidade é que a obra da rodovia estaria parada e quase sem nenhum operário em serviço. Que poderíamos seguir, porém já sabendo que em caso de atolamento nenhuma máquina da construtora iria nos socorrer. Nossa vontade era tanta que partimos. Descemos o zigue-zague inicial asfaltado que é, sem dúvida, o traçado mais fantástico do roteiro. Logo no final da série de curvas, havia uma pequena reta de asfalto que ficava abaixo de um paredão de pedra que se projetava sobre a pista. Esta desmoronou ficando apenas uma trilha. Lá no abismo dava para enxergar a pista que deslizou inteira. Daquele ponto em diante a estrada seguia de terra até Grão Pará-SC cerca de 26km. Ocorre que foi iniciado um serviço de asfaltamento deste trecho que não se concretizou. A construtora passou máquinas alargando toda a estrada e daquele jeito largou o escopo. Sem escoamento definido já dá pra imaginar o estado da rodovia. A pé dava para chafurdar ao menos 50cm na lama e só conseguimos vencer o trajeto porque se fazia em declive. Certamente sozinhos (em um único veículo), em um casal com uma filhinha de menos de 2 anos de idade já foi loucura suficiente perfazer o trajeto que certamente não seria possível se fosse no sentido contrário da subida. A aventura foi tão atenta que mal fizemos fotos. A trilha fora de estrada deu um banho em muitos offroaders equipados por aí. Grão Pará serviu de oásis para um almoço merecido e nutritivo. Neste circuito, após a descida da Serra do Corvo Branco, seguimos para Lauro Müller e posterior subida do Rio do Rastro já narrado acima.

Definitivamente, de carro, moto, bike ou mesmo a pé, vale furar a placa de interdição para descer as primeiras curvas asfaltadas do Corvo Branco. A experiência vale muito, além da vista ser imperdível. Dali pra frente, só veículos 4×4 afim de aventuras.

Garganta da Serra do Corvo Branco. Rocha Basáltica porosa serve de filtro para a formação dos aquíferos.
A emoção em descer certamente não era exclusividade dela.| Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
A primeira ladeira e a primeira curva.| Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Difícil escolher se olha a paisagem ou curte o traçado.| Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Série de segmentos em zigue-zague.| Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Beleza do Cânion. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Infindáveis curvas do Corvo Branco.| Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Paredões de Rocha Basáltica porosa. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Traçado visto de baixo. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Trechos onde a estrada deslizou no precipício. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Vista fantástica do meio da Serra. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Paredões, desfiladeiros e mata preservada. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Final da cadeia de cânions que nascem lá no Rio Grande do Sul. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Já na baixada, a Serra já escondida nas nuvens. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
A lama toda valeu a pena. A tração nas 4 e a reduzida também! | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.
Enfim, Grão Pará-SC. De lá é tudo asfalto até o Litoral e Rio do Rastro. | Foto: Paula/Marcos Pivari – MaCamp.

Urupema e São Joaquim:

Urupema possui uma rua principal com uma praça, igreja e um rio de trutas que podem ser visitados em apenas uma hora. Em sua área rural, o Morro das Antenas é um bom ponto de parada para fotos da paisagem da região. Já em São Joaquim o centro é maior, porém com poucos atrativos. Alguns restaurantes e lojas. Ainda na área urbana existe o Parque da Maçã, que vale a visita e nos arredores existem alguns parques e vinícolas a serem escolhidas. A dica para quem está em Urubici é de sair pela BR-475 passando pelo Morro do Campestre com destino a Rio Rufino até a SC-112 com destino a Urupema. No caminho haverá a saída para o Morro das Antenas que pode ser acessado até o cume de carro. De Urupema, seguindo pela SC-370 + SC-114 chega-se a São Joaquim e neste caminho você passará por diversos pontos de interesse rurais. Para não repetir o caminho de volta, pega-se a SC-416 com destino a Urubici. (Roteiro ilustrado no mapa no topo deste artigo)



 

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CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. "O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza."