Nosso país possui um enorme potencial para a prática, porém mal aproveitado. O campismo que vem crescendo a cada ano, mas houve um declínio nos anos 1990. Somente a conscientização, cultura e estudo sobre o assunto fará com que o Brasil deslanche nessa área, onde trará maior número de capital externo e emprego em todas as regiões do país.

Nesta seção do MaCamp você confere matérias, notícias e novidades sobre o Turismo no Brasil. Um guia completo onde reúne tudo o que pode existir sobre o assunto. Navegue pelo manu à esquerda.

Conceitos

0O turismo é uma das atividades que mais crescem no mundo. No Brasil não é diferente e segundo o superintendente da Embratur, Sr. Nilo Sergio Felix, esse setor gera nove milhões de empregos diretos e indiretos. O avanço dos meios de transportes, diminuição de jornadas de trabalho e aumento de horas de lazer são uns dos muitos responsáveis pelo crescimento, não só do Brasil.
É importante lembrar que essa prática no Brasil nasceu por volta anos 1940. Com o fato de a política populista ter criado os direitos trabalhistas (salário mínimo, férias remuneradas e jornadas de trabalho estipuladas), foi permitido ao trabalhador o direito de descanso e oportunidade de conhecer novos lugares.

Definições

São várias as definições para a palavra turismo. Dentre todas elas, o deslocamento é a única que está presente entre todas. Luis Fernandez Fuster define como: girar – viagem circular, de volta ao ponto de partida. Mário Beni define como: deslocamento – a permanência fora do domicílio. Já Miguel Acerenza, adota a idéia de turismo como uma atividade particular de uso do tempo livre.
A OMT – Organização Mundial de Turismo define o turismo da seguinte forma: “o turismo compreende as atividades que as pessoas realizam durante suas viagens e permanência em lugares distintos de seu entorno habitual, por um período de tempo consecutivo inferior a um ano com fins de ócio, por negócios e outros motivos turísticos”. A mesma organização também define o visitante como: “Toda pessoa que se desloca para um lugar distinto de seu entorno habitual, por uma duração inferior a 12 meses, e cuja finalidade principal não é de exercer uma atividade remunerada no lugar visitado”.
A OMT define três tipos de turismo: Turismo interno – dos residentes de um país ou região que visitam seu próprio país ou região; Turismo Receptor – dos visitantes chegam a um país ou região no qual não são residentes; Turismo Emissor – dos residentes de um país ou região que visitam outros países ou regiões.
Finalmente, a OMT designa visitante de um dia ou excursionista: “Todo visitante cuja visita seja inferior a 24 horas sem incluir pernoite no lugar visitado”.

Dos fluxos

Falar de fluxos turísticos é falar da dinâmica do fenômeno, do próprio movimento do elemento. Utilizaremos três principais tipos de fluxos turísticos para esse estudo:
Fluxo Turístico Itinerante – Engloba turistas que permanecem, em média, seis horas em seus destinos e não pernoitam. Esses visitantes não solicitam equipamentos e serviços, restringindo suas necessidades às instalações de alimentação, recreação, passeios e compra de produtos típicos.
Fluxo turístico de estada – Engloba turistas que permanecem mais de 24 horas no local e que por isso pernoitam. Dentro dessa definição temos: Estada fério-semanal e estada fério-menso-estacional. Os turistas de estada solicitam equipamentos de hospedagem e serviços diversos.
Fluxo turístico sedentário-residencial – Engloba turistas que se deslocam por tempo indeterminado e possuem ou alugam imóvel que acaba se configurando como residência secundária. É um turismo sem diversificação da oferta, essa que é diferenciada por seus orçamentos. Esse tipo de fluxo também se divide entre residencial fério-semanal e residencial fério-menso-estacional.
No universo do turismo como atividade econômica, apesar de gerar produto com demanda e oferta, um local emissor pode não ser receptor e vice-versa.

Impactos

Apesar de os impactos da atividade turística parecerem evidentes, há uma enorme dificuldade de listá-los e quantificá-los. Não existe uma padronização de estatísticas do turismo em todo o mundo e muitas vezes nem existe. Os principais impactos do turismo podem ser: econômicos – tratando de circulação e distribuição de renda, empregos e despesas públicas; socioculturais – formação de recursos humanos, mudanças sociais e motivações aos costumes do local receptor (ensino, crença, esportes e etc.); ambientais – onde se concentram as maiores preocupações nos dias de hoje.

Planejamento Turístico e Desenho Urbano

Planejamento turístico analisa a atividade deste ramo numa área. É composto de um diagnóstico de desenvolvimento que fixa modelos de atuação com programas, diretrizes e ações para se impulsionar o turismo do local. O Plano de Desenvolvimento Turístico ou Plano Diretor de Turismo é o documento que sintetiza esforços e estudos para guiar gestores públicos e privados, assim como orienta a população.
Vários são fatores importantes de um planejamento turístico. Itens que atraem os turistas são: paisagens, tradições culturais, patrimônio e arquitetura, clima comparado ao local de origem do turista e disponibilidade de tempo e opções atraentes de gastos. Os planos devem fazer projeções de chegadas de turistas, modo de viagem, quantificação de equipamentos, número e funcionários disponíveis. A cultura e educação continuada são fundamentais: indivíduos da comunidade escolar e sociedade geral devem ter condições de assimilar e compartilhar dos valores turísticos de sua cidade. Deve haver também a melhoria de infra-estrutura urbanística para levar qualidade de vida à população. O desenvolvimento de produtos turísticos e programas temáticos devem sempre ser exercidos e atualizados a fim de atrair novos fluxos de visitantes.

Turismo Urbano

Dentro da temática, os centros urbanos têm atraído cada vez mais turistas. São vários os tipos de viajantes que compõem os chamados turistas urbanos: Participantes de congressos e fins profissionais, culturais e atividades esportivas, amantes de edifícios históricos e pessoas que viajam ao encontro de parentes.
O crescimento do turismo não afeta apenas a economia, mas também o meio natural, sociocultural e físico. Esses impactos podem ser positivos ou negativos. Dentro dessa idéia existem constatações de que a sustentabilidade da indústria turística depende da promoção e manutenção de espaços urbanos de qualidade. Por isso, o turismo se torna a grande esperança para a administração de cidades e da melhoria da qualidade da vida urbana das mesmas.
Dentro do cenário turístico urbano, temos a importância do desenho urbano. Seus projetistas combinam questões técnicas, sociais e estéticas para atuar em todas as escalas do desenvolvimento. Nas poucas palavras da arquiteta Paula Barros de Minas Gerais: “Desenho Urbano é a arte de fazer lugares para as pessoas”. O desenho Urbano pode colaborar para a criação de espaços que seriam ocupados tanto por viajantes como pela comunidade local, garantindo a todos, um fácil acesso aos equipamentos urbanos. Isso contribui para que se desenvolva uma sociedade mais tolerante.

Considerações da prática do Turismo

Segundo Paulo Cezar Milone, é preciso reforçar, cada vez mais, a importância da vida acadêmica para a indústria brasileira do turismo de maneira que possamos desenvolver corretamente o pensamento estratégico. A atividade turística, se praticada sem organização, sem objetivos e estratégias definidas e sem abraçar questões estruturais profundas, pode facilmente se tornar predatória.
“A capacitação e qualificação de mão de obra, um marketing eficiente, criterioso e ininterrupto, investimento em infra-estrutura, a integração das parcerias, o conhecimento acadêmico, a consciência da importância da preservação do meio ambiente são alguns dos elementos indispensáveis para consolidar nossa maturidade turística.”
Ainda falando de costumes não presentes no Brasil, temos as ressalvas de Élio J. Bochi, quando fala que falta ainda incorporar à nossa cultura a idéia do Sabático.  É a forma de que, segundo algumas empresas, principalmente na Europa e Estados Unidos, dão a alguns funcionários longos períodos de afastamento do trabalho, a fim de que possam realizar uma longa viagem de dois a seis meses de duração, não relacionada necessariamente ao trabalho ou desenvolvimento profissional, mas, sim, ao desenvolvimento e evolução pessoais. Estes funcionários voltam com uma bagagem cultural excelente, travam contatos com povos distantes, e posteriormente passam a sua experiência aos colegas de sua empresa. Usualmente voltam ao trabalho com a garantia do emprego. Mais motivados, fazem palestras aos colegas e convidados, e algumas vezes recebem até o salário integral durante o período em que estiveram afastados.
“É certo que hoje existe uma consciência empresarial que vê o Sabático como um investimento no funcionário, fortalecendo parcerias e compromissos.”

Turismo de Um Dia

Também conhecidocomo Turista Popular, o turista de um dia é a pessoa que reside em outra localidade e que, geralmente inserido em excursões ou grupos, visita a cidade durante um período inferior a 24 horas por motivos de ócio e lazer. Estes não pernoitam e utilizam equipamentos como alimentação, pontos turísticos (visitas), recreação e compras de produtos típicos.
O turismo Popular é fortemente discriminado principalmente por sua posição social, já que sua maioria é formada por pessoas de baixa renda que buscam, dentro de seus poderes aquisitivos, conhecer espaços onde não têm oportunidade de pernoitar, transitar com veículo próprio e se utilizar de rede gastronômica requintada.
Esse tipo de turismo ocorre principalmente em cidades litorâneas. Pessoas em busca do lazer na praia, contratam serviços de agencias de excursões e através de pacotes fixos com formas de pagamentos atraentes. Descem a serra munidos de alimentos, não repassando renda à cidade turística já que o orçamento foi destinado à agencia excursionista. Ao deixarem a cidade, também deixam para trás as marcas de uma ocupação de grande contingência.
No caso das cidades litorâneas, o único foco do turista Popular é a estada da praia, não havendo interesses por pontos turísticos ou compra de produtos típicos.

O Turismo de Um Dia, ou Turismo Popular sofre grande preconceito por parte dos demais turistas, população local e administradores municipais por não oferecerem renda á cidade e também deixarem resíduos e degradação de pontos turísticos e centros urbanos. Algumas cidades regulamentam esse tipo de turismo e algumas literalmente lutam contra ele. O município de Ilhabela no Estado de São Paulo, por exemplo, previa a cobrança de taxas de Turistas para a possível extinção dessa prática. Segundo o prefeito Sr. Manoel Marcos de Jesus Ferreira, os Turistas de Um Dia geram problemas à limitada infra-estrutura do município, como congestionamentos e acúmulo de lixo nas praias. A idéia seria a cobrança de “taxa de preservação ambiental” como a que existe no arquipélago de Fernando de Noronha, onde é cobrada uma taxa por dia de visitação. Já vigora em Ilhabela uma lei que proíbe a entrada de ônibus e vans turísticas na cidade. Esses tipos de veículos só são autorizados a desembarcar na ilha mediante pagamento de diária de R$ 600,00 e R$ 300,00 respectivamente. Agora em 2008 iniciou-se a cobrança de taxa ambiental e ainda limitou-se o número de carros que podem acessar a Ilha. Na região da Baixada Santista, algumas cidades regulamentam o Turismo de Um Dia. Nelas, há a necessidade de cadastramento prévio dos ônibus que transportam os turistas sob pena de não poder entrar na cidade.
Não é privilégio ou exclusividade dos turistas de um dia buscarem alternativas mais baratas para tornar viagens viáveis. Muitos turistas buscam em seus destinos, imóveis para aluguel e da mesma forma, não dispensam gastos com hotéis e rede gastronômica. Muitas vezes se formam grupos de maior número de pessoas, procuram preparar seus próprios alimentos e até fazer compras dos mantimentos nas cidades de origem em busca de menores gastos.

Tipos Diversos

O Brasil possui um potencial turístico bastante diversificado devido à sua extensão territorial. Como um dos maiores países do mundo, ele dispõe de áreas com diferentes culturas, climas e infraestruturas que possibilitam a prática de diversos tipos de atividades turísticas como o ecoturismo, o turismo de massa e o turismo rural. Reunindo diversas classificações é possível chegar a mais de 20 tipologias variadas de turismo que podem ser praticadas no Brasil, sendo algumas dessas bem novas e outras consideradas bastante “exóticas” por algumas pessoas.

Entre as tipologias turísticas mais comuns o Brasil conta com o turismo de aventura (onde a adrenalina é fator principal) e o turismo ecológico ou ecoturismo (voltado à apreciação da natureza) que são realizados em áreas naturais; há o científico ou de estudos e intercâmbio, que visa o aumento do conhecimento e a troca de experiências culturais e educacionais; o turismo de compras ou de consumo, em locais cujos visitantes se interessem somente nos produtos regionais ou de melhor preço postos à venda; turismo cultural, com objetivo de conhecer a história de uma comunidade e seu patrimônio material e imaterial; turismo desportivo para aqueles torcedores ou praticantes que gostem ou estejam envolvidos em uma competição esportiva; de eventos e negócios, quando o turista baseia-se na participação como espectador ou palestrante em algum evento ou está voltado à realização de atividades comerciais, profissionais ou promocionais; náutico, pouco desenvolvido, refere-se ao uso de embarcações para deslocamento turístico em rios, mares, lagos e represas; religioso, motivado pela fé popular em locais de grande importância religiosa; rural ou agroturismo, quando o visitante entra em contato com a rotina de um agricultor, participando das suas atividades e hospedando-se em sua casa; turismo de saúde e bem estar, para pessoas em busca de tratamento médico, seja ele físico ou emocional; turismo social, destinado àqueles que buscam formas econômicas de viajar, em geral, organizadas pelo SESC (Serviço Social do Comércio) e o turismo de sol e praia que é aquele que acontece em todo período de férias ou feriado prolongado, de um grande público em direção ao litoral brasileiro.

Nos novos e, em alguns casos, exóticos segmentos turísticos que vêm sendo desenvolvidos no Brasil encontra-se, por exemplo, o turismo cemiterial ou necroturismo, para admiradores de obras de arte e com certa curiosidade mórbida sobre os cemitérios do país; o esotérico ou místico direcionados para quem busca paz, autoconhecimento e locais de maior espiritualidade; gastronômico quando a viagem é motivada pela descoberta de novos sabores e para saciar uma vontade do paladar; turismo LGBT voltado ao público homossexual onde eles tem maior liberdade para se divertir e expressar seus relacionamentos sem o preconceito explícito da sociedade; turismo de incentivo que tem por finalidade motivar ou recompensar os funcionários de uma instituição pública ou privada; da melhor idade, praticado por aqueles com mais de 60 anos em pacotes especiais e destinos preparados para recebê-los; para portadores de necessidades especiais, locais que já possuem hotéis, restaurantes e atrativos adaptados para maior acessibilidade das pessoas com algum tipo de deficiência e o turismo single para pessoas disponíveis a uma viagem repleta de festas e atividades de integração cujo objetivo final é a formação de novas amizades.

Com todas essas opções para prática de turismo no Brasil, entende-se como o país tem muito a oferecer e como é necessário o investimento em infraestrutura e marketing para que ele desenvolva toda sua enorme potencialidade na atividade turística.

 

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CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. “O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza.”