Vinhos - Conheça a Bebida e Dicas de Visitação das Vinícolas
 

Com as “Terras dos Vinhos” como destino turístico do Sul do Brasil, conforme apresentado em alguns artigos aqui no MaCamp, o campista poderá aprender muito sobre a bebida e seus encantos. Além disso a maioria das vinícolas possuem programas de visitação onde se conhece todo o seu processo de produção desde a plantação até o fechamento da rolha e colagem do rótulo. Degustar seus produtos? Claro! É um dos programas mais procurados pelos turistas.

Nossa missão nesta matéria é de simplificar o assunto dos vinhos tirando daquele pedestal em que geralmente é tratado e colocando a bebida como acessível a todos os estilos, bolsos e capacidades gustativas. Também de guiá-lo para uma visitação mais otimizada nas diversas produtoras dos arredores.

Ao viajar para uma região produtora de vinhos, você encontrará um número enorme de vinícolas, tanto das grandes e famosas, quanto das pequenas e familiares. Faça um planejamento escolhendo algumas que diversifiquem tanto o tipo de vinho,  perfil e tamanho da empresa. Há estabelecimentos grandes com extenso programa de visitação e degustação inclusive paga que podem não trazer tantas informações ou pormenores como as de pequeno porte ou mesmo cantinas familiares minúsculas.

Nosso conselho é que você escolha uma de cada tipo e pesquise qual se encaixa mais no seu jeito. Evite querer “cumprir” a totalidade das vinícolas, a menos que seja um especialista e possua tempo de sobra para isso.

Escolha uma grande e famosa, uma média especial e uma familiar bem intimista para começar.

A maioria das vinícolas possui programas de visitação que acompanham o turista por suas instalações internas da produção. Durante o passeio você ouvirá explicações sobre as uvas, a fermentação nos tanques, técnicas e funcionamento do processo, envelhecimento e muito mais. Aproveite para tirar suas dúvidas. Com certeza esta vivência lhe trará mais prazer quando estiver degustando esta bebida dos deuses.

Amostra de plantações de diversas uvas na vinícola. | Fotos: Paula e Marcos Pivari | MaCamp
Tanques de aço inox para fermentação. | Fotos: Paula e Marcos Pivari | MaCamp
Fixação dos taninos nas pipas de carvalho. | Fotos: Paula e Marcos Pivari | MaCamp


Maturação dos espumantes ocorre na garrafa que deve ser girada em 1/4 de volta de tempos em tempos

Sala de degustação. | Fotos: Paula e Marcos Pivari | MaCamp
Loja da vinícola. | Fotos: Paula e Marcos Pivari | MaCamp

Comportamentos:

Vinho é uma bebida prazerosa que se aprende a beber aos poucos. Não, não é preciso se comportar como muitos enófilos que parecem exagerar nos rituais. Olhar, cheirar, analisar e desvendar aromas e paladares não são pré requisitos para curtir este prazer na vida. Não cultive preconceitos e sim gosto próprio. Há vinhos de ótima qualidade a preços módicos – “Tem vinhos bons e ruins para todos os gostos e bolsos”. Também é legal saber que nem sempre os preços dos vinhos nas “lojas de fábrica” das vinícolas são os melhores. Utilize a internet para fazer pesquisas.

Sobre os Vinhos:

Tentaremos abordar aqui algumas questões fundamentais a respeito do vinho, de forma muito simples e prática.

O vinho é uma bebida de mais de 6 mil anos com achados históricos que já levantaram equipamentos para a produção da bebida. Até um “Deus do Vinho” existe: Baco. Muito o que define o vinho é a sua matéria prima principal: a uva. As variações da fruta estão intimamente ligadas às diferenças de vinhos. Algumas são mais ácidas, outras mais doces, cascas mais finas ou grossas e etc. O lugar de cultura das videiras também é fundamental para o resultado do vinho o que demonstra o grau de importância e diferença que a fruta faz na bebida. Sol, umidade do ar, chuvas, solo e outros agentes fazem enorme diferença, principalmente no que tange fatores climáticos durante todo o ano.

Os vinhos podem ser feitos de uma única uva ou de várias. Estas misturas são chamadas de “cortes”, onde uma porcentagem de duas ou mais uvas farão a composição da bebida. Estes vinhos podem também ser chamados de “blends”. Assim como na culinária, o vinho pode levar diferentes uvas em sua “receita de ingredientes”. Da mesma forma, as graduações que buscam harmonizar o que há de melhor em cada fruta também são fechadas em segredo pelos produtores.

Para entender o vinho é preciso saber sobre os TANINOS. Este elemento está presente na casca da uva e inicialmente faz um efeito que “amarra” o paladar. É exatamente o poder da dominação deste componente é que o torna prazeroso no resultado final do vinho. Interessante é que o composto ajuda no processo do envelhecimento da bebida e o processo de envelhecimento é que torna os taninos menos “amarrativos” e o vinho mais requintado e apurado. Para se ter uma ideia exata do efeito do Tanino na fruta, este está presente em maior quantidade nas frutas verdes. Exatamente as que “amarram”a boca. É aí que entram os famosos Barris (ou Pipas) de carvalho, cuja madeira atua como um “acalmador” dos taninos no processo de micro oxigenação.

O processo de produção do vinho é uma arte a parte e não iremos nos estender porque é exatamente o que você irá aprender nas visitas às vinícolas do Vale dos Vinhedos. A fermentação das uvas com ou sem casca é o principal processo. Temperatura, oxigênio, material do recipiente e aplicação ou não de leveduras fazem a parte “artística” do processo. A maturação também é bastante importante e diversificada ganhando os toques do enólogo.

Alguma Uvas:

TINTAS: Cabernet Souvignon: Difundida em Bordeux (França) e plantada em todo o mundo. Fácil adaptação. Encorpada, tem grande concentração de Taninos e aroma forte de frutas; Carménère: Mais presente no Chile. Resulta em vinhos mais escuros, pouco ácidos e taninos equilibrados. Revela aromas de especiarias; Malbec: Mais presente na Argentina. Vinhos encorpados, escuros e de taninos suaves. Revela aromas de frutas vermelhas e cacau; Merlot: Presente em todo o mundo. Semelhante aos traços do Cabernet, mas com menos taninos. Revela aromas de tabaco; Pinot Noir: Produção difícil em climas muito frios. Vinho claro, leve com taninos e acidez medianos. Revela aromas de frutas vermelhas e florais. | BRANCAS: Chardonnay: Presente em todo o mundo é considerada a “rainha das uvas brancas”. Vinho encorpado de média acidez com paladar “amanteigado”. Revela aromas de frutas tropicais; Sauvignon Blanc: Mais presente na França, Nova Zelândia, África do Sul, Chile e Argentina. Vinhos ácidos que revelam aromas de frutas cítricas; Riesling: Origem alemã plantada em poucos lugares do mundo sempre de clima bem frio. Vinho bem estruturado e ácido. Revela aromas de frutas cítricas, mel e minerais.

Já em casa:

Ao parar para curtir seu vinho, é legal buscar a maior proximidade correta em relação à temperatura. Vinhos tintos devem ser servidos entre 15ºC e 18ºC. Os brancos ente 8ºC e 12ºC.

Para começar a desvendar o mundo dos vinhos, nada melhor que se pegar ao rótulo. Saiba a uva, a origem, o produtor, a safra e o grau alcoólico. Comece pelos de safra mais jovem. A diversidade de rótulos e tipos será o melhor caminho para se formar uma experiência olfativa e gustativa que naturalmente irá desenvolver seu jeito próprio de encarar a bebida. Há quem diga que cheirar frutas na banca da feira pode ajudar neste processo.

A taça leva metade da fama no sucesso da degustação, juntamente com a temperatura. Calma. Não precisa sair gastando dinheiro em uma gama infinita de taças. Existe uma taça conhecida como “padrão ISO” que atende a qualquer tipo de vinho sendo definida como “coringa”. Ela é relativamente pequena e totalmente transparente. Bojo grande e mais fechada em cima, proporciona uma experiência mais olfativa. Depois que pegar amor pela prática, você poderá adquirir as taças específicas aos poucos.

Na hora de segurar a taça, empunhe sempre pela haste para não esquentar o vinho com o calor das mãos.

Se você não tem uma adega climatizada, poderá armazenar seus vinhos sempre deitados, em local com pouca luz e sem influência de temperaturas e cheiros. Os espumantes devem ficar na geladeira.

Para a dita “harmonização”, ou seja, que vinho tomar com tal prato específico, comece pelas regras básicas: Comida leve, vinho leve. Comida forte e condimentada, vinho encorpado. Exemplo: Tintos: Carnes, massas e risotos. Brancos, espumantes e rosés: peixes e carnes brancas.

O maior barato do vinho é que podemos contar sempre com uma “atividade” a parte, dada a imensa gama de paladares que os vinhos podem resultar tanto da produção quanto do armazenamento e do ato de servir (temperatura, taça, acompanhamento e etc.). O vinho pode alegrar um evento e um evento também pode proporcionar prazer ao vinho. “Tim-Tim!!!”




 

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CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. “O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza.”