Apolo 728×90

Neste trecho presenciamos uma nova invasão alemã à Itália. Sim! Não tinha nada a ver com a segunda guerra mundial. A forma agora era supremacia financeira mesmo e, não, bélica. Incrível a quantidade desse pessoal nessa região. Eram mais de setenta por cento dos carros que trafegavam por ali. Vinham eles em carros de passeio ou em motor-homes, que tracionavam barcos, jetskis, bicicletas ou motos. Impressionante! Claro, era lógico, pois estávamos já bem próximos da Alemanha. Impressionava assim mesmo. Chegamos a parar num posto de combustível com um centro de conveniências para observar mais de perto e abastecer o veículo e a nós antes de entrar nos preços “salgados” da Suíça. Tenho que fazer um comentário: os europeus do leste, em geral, mas em especial aos alemães, vestem-se muito mal… Bah! E os cabelos das mulheres mais velhas então, nossa mãe! Olha, não é por falta de dinheiro que não se ajeitam. Bem, os norte-americanos e outros também não fogem à regra. Se bem que, não tenho conhecimento da opinião contrária. Então, deixamos que cada um faça como bem quiser…
Após tomarmos o caminho que seguia para Stelvio, paramos novamente para comprar algumas frutas: maças, ameixas e uvas na beira da estrada. Ficamos surpresos com as quitandas montadas por ali. Até esse ponto da nossa viagem somente tínhamos visto isto na França, quando rodávamos pelas estradas do interior. Bem, estamos novamente rodando pelo interior, só que da Itália desta vez. Então, é normal. Outra coisa que observamos na França e, também, na Itália foi a presença de prostitutas em alguns entroncamentos da entrada ou saída de algumas cidades. Todas bem arrumadas e maquiadas. Junto a elas havia sempre uma cadeira ou, até mesmo, uma poltrona para poderem se sentar e aguardar o próximo cliente. O que é a natureza… Não tem pátria…
Seguindo montanha a cima e a chuva cada vez mais forte. E mesmo vários veículos sendo mais lentos à frente, ninguém sequer experimentava uma ultrapassagem. Todos ali tranqüilos e quietinhos, cada qual no seu lugar da imensa fila de carros que subia, para evitar, de toda forma, o pior. Eu cada vez mais ansioso, repetia o planejamento com o GPS para ter certeza de que estávamos indo pela estrada certa. Aquela que eu queria estar. Na pequena cidade de Stelvio, não resisti e fui a um hotel confirmar a direção correta da estrada tão famosa. Olha, nem eles mesmos sabiam. Eu falava que era uma estrada dentre as cinco mais belas do mundo e o pessoal não demonstrava muita reação. Mas, quando falei que a estrada era completamente em zig-zag, me entenderam. Deve ser porque são grandes tomadores de cerveja e só entendem esse idioma do zig-zag mesmo. A atendente do hotel só disse para que eu me cuidasse. Daí, percebi que era a estrada certa. Pelas fotos que havia visto dela, a coisa era cruel. “Bonitinha, mas ordinária!”. Nos fomos a ela então… Subíamos e a chuva cada vez mais intensa. E o estranho é que já estávamos querendo puxar os casacos das malas ou ligar a calefação do motor-home. Andamos por uns dez quilômetros adiante e parei novamente num outro hotel. Sim, essa região é uma maravilha, as paisagens são de tontear. É cheia de pousadas e hotéis por toda a parte da montanha. Pois ali, neste local, iniciavam-se os famosos Alpes. Desta vez, conversei com um norte-americano que sabia o que eu estava procurando. Conhecia o lugar. Avisou-me que estaria nevando naquele ponto, o que dificultaria a minha condução. Vale lembrar que pela manhã estávamos em Veneza naquele calorão. Quando eu falei que estava em um motor-home, até a atendente que mal falava o inglês, foi veemente em dizer que não deveria seguir por ali nessas condições. Pôxa! Com essa agora, além da chuva, agora neve. Bem, agradeci e voltei ao carro para ver o que iríamos fazer a partir desta notícia. Nem insisti em seguir, porque seria voto vencido. Não seria lógico colocar todos em risco. Não daria pé! Fui “falar” com a colega que entende tudo de estrada: a “GPS teen” e decidir por outro caminho… Cada vez que tentava programar nova rota para Lucerna havia uma pergunta se eu desejaria evitar balsa ou não. Eu verificava os mapas da região e só havia lagos, mas não que necessitasse atravessá-los, ainda mais de balsa. Fiquei meio desconfiado. A esta altura, já tínhamos cortado outras cidades de nosso roteiro: Zurique e Davos, pois estava chovendo mesmo, não daria para vê-las muito bem. Programei com direção a Interlaken, mesma coisa, anunciava a bendita balsa. Seguimos assim mesmo para ver no que daria. Iríamos passar em Saint Moritz, Luzerna e Berna antes, para pelo menos conhecê-las de passagem, rapidamente. E “dale” chuva!
Saint Moritz, é uma famosa e cara estação de esqui nos Alpes suíços. É charmosa e encantadora. Principalmente, pela arquitetura típica e a existência do lago rodeado de montanhas, que juntos formam uma paisagem muito bela. Após termos passado por ela seguimos em direção de Luzerna. O caminho é como se estivesse passeando num grande jardim com casas decoradas, pátios floridos e ao fundo os Alpes cobertos de neve. Apesar da chuva que não nos abandonava, estávamos extasiados com tanta beleza ao redor. Incluindo os lagos, pelos quais íamos passando. Esses lagos possuem uma cor azul turquesa que parece até uma jóia. Ficava imaginando como seria aquilo tudo com a presença do sol. Mesmo assim, já me sentia recompensado de alguma maneira. E “dale” chuva!

  Deusdeth Waltrick Ramos

BodeCar 728×90
CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. "O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza."