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Atenção – Coluna: Textos de colunistas não representam necessariamente a opinião do MaCamp.

Considerando o nefasto incidente por vazamento de gás de cozinha, ocorrido em motor home estacionado, senti obrigação de esclarecer alguns detalhes sobre o episódio.

Sou Engenheiro de Segurança e atuei durante 15 anos como Analista e Perito do Corpo de Bombeiros, situação que me permite informar sobre os critérios indispensáveis para a perfeita segurança na utilização deste combustível.

Considero a maioria dos acontecimentos (e não são raros) como “incidente” e não como inesperados acidentes. Isto porque os incidentes são previstos, anunciados, facilmente evitáveis.

Sabemos que o gás de cozinha (normalmente butano ou propano) é altamente volátil, ou seja, mistura-se no ar que respiramos, tomando o lugar do oxigênio, penetrando nos pulmões e imediatamente sendo levado ao cérebro.

Embora ele seja mais pesado que o ar que respiramos, é errado pensar que ficará acomodado ao piso, pois, como citei antes (e insisto), será inalado por nossa respiração e, apenas a maior densidade dele estará rente ao piso.

Assim, inicialmente, a pessoa que o inalou sente uma sensação de tontura, confusão mental,…  Alguns sobreviventes relataram-me serem acometidos de um “bem-estar” e vontade de deitar no chão.  E, exatamente nesta faixa está a maior densidade letal.

O raciocínio deixa de funcionar, a pessoa perde a consciência, não mais consegue desenvolver ações de combate ou pedir socorro e ocorre o óbito.

Como o gás de cozinha é naturalmente inodoro (não tem cheiro), as empresas engarrafadoras colocam no interior dos botijões um composto fétido (o cheiro que sentimos), denominado mercaptano, para que nosso olfato sinta algum vazamento e tenhamos tempo de reação. Mesmo assim os procedimentos devem ser rápidos para bloqueá-lo.

Eu sempre alerto que os botijões devem estar em local acessível e ventilado (na parte inferior), verificados se estão dentro de prazo de validade se não possuem amassados, tortos, desnivelados, …

Sempre (eu insisto SEMPRE) devemos colocar abundante espuma de sabão nas conexões do botijão.  Havendo formação de bolhas, obviamente há vazamento e o procedimento deve ser refeito ou trocado o botijão ou regulador.

Lembre-se que os botijões pequenos, denominados Liquinhos, são proibidos e sua pressão interna chega a quatro vezes maior (ou mais) do que os de 13 quilos.

Obviamente, outros incidentes graves podem ocorrer com gás de cozinha, como explosões e incêndios, mas graças a urgência de comentário, detive-me neste assunto.

Procurei ser suficientemente esclarecedor, utilizando palavrado acessível, na tentativa de evitar mais incidentes como o ocorrido.

Agradeço e coloco-me à disposição

Darlou D’Arisbo
Prof. Eng. de Segurança
Campista desde 1977

Atenção – Coluna: Textos de colunistas não representam necessariamente a opinião do MaCamp.

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