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Cada dia mais nos deparamos com discussões sobre o assunto e mais locais que retiraram seus apoios a motor homes, trailers e outros RVs. A cultura do “0800” (ou acampamento grátis) juntamente com o não entendimento do que seria um “apoio” vem causando problemas nas cidades turísticas e cada vez mais sanções à modalidade. Para onde vamos? Qual o caminho para não prejudicarmos a modalidade? (Nas fotos deste artigo, buscamos preservar a identidade dos RV’s, pois não é nosso foco tratar de casos isolados ou pessoas específicas)

Toldo, mesa, cadeiras e churrasqueira em pleno bolsão de estacionamento

No final do ano circulou nas redes sociais e grupos privados a notícia de que a Casa Valduga em Garibaldi havia retirado o apoio para RVs de sua propriedade. O motivo seria o uso indiscriminado do local por dias, onde o caravanista teria acampado gratuitamente, utilizado água e luz a vontade e se retirar sem nenhum tipo de agradecimento ou retribuição à Vinícola que vinha graciosamente oferecendo uma opção de pouso em uma cidade que não contava com camping nenhum. Alguns outros incidentes aconteceram ali no momento de sua saída. Durante a repercussão, Bento Gonçalves, vizinha do vale dos vinhedos, que também não possui camping, teria não mais aceitado caravanistas junto ao estacionamento da estação turística. O local que oferecia segurança para pessoas que apenas estacionavam e pernoitavam seus RVs, vinha sendo utilizado para verdadeiros acampamentos com abertura de toldos, instalação de mesas, cadeiras e churrasqueiras, chegando até mesmo ao ponto dos usuários EXIGIREM luz elétrica e água. Algo que em situações especiais, fora do horário de funcionamento e em caráter excepcional era oferecido, acabou sendo encarado como “normal” pelo público que ficou sem mais uma opção de pernoite após tais “exigências”. É claro que em locais remotos, desertos ou de pouca circulação, fica mais “viável” um acampamento selvagem mais “espalhado”. Mas em grandes centros ou pontos de interesse turístico muito frequentados, vale sempre a menor interferência.


Toldo e varal estendido

AUTONOMIA: Um veículo de recreação foi projetado para ter uma autonomia de água e luz para ao menos durante uma noite ou um dia. Suas instalações internas como quarto, cozinha e banheiro garantem uma independência que pode ser curtida no interior do mesmo se limitando ao espaço de estacionamento de qualquer veículo. Porém, mesmo com a tecnologia cada vez mais avançada principalmente no quesito “energia solar”, a cada dia a comunidade caravanista “exige” e faz uso de energia elétrica e água externos mesmo em locais públicos ou então privados que oferecem “apoio”.


O “gato” resistiu à luz do dia e não perdoou a cliclovia

APOIO: Um apoio significa LOCAL PARA ESTACIONAR O RV. Opcionalmente ao local, pode ser oferecido água e até mesmo luz elétrica. Ambas podem ou não ser cobradas de acordo com o DESEJO DO LOCAL. Assim como outros agrados ou mesmo atrativos, sempre serão oferecidos pelo proprietário local, sendo que o valor a ser cobrado (mesmo que gratuito) também será de total escolha do mesmo. NÃO DEVE SER EXIGIDO.


Vila de RV’s em Local público em Paraty-RJ

ENERGIA ELÉTRICA: Como caravanistas, sabemos que as duas “riquezas” que garantem total comodidade em um trailer ou motor home são “água e luz”. Porém é importante entender que UM PONTO DE APOIO NÃO NECESSARIAMENTE PRECISA OFERECER TOMADA ELÉTRICA. Dentro de um período de pernoite, dentro dos quesitos de autonomia interna de cada veículo, o que um caravanista necessita é de um local seguro para dormir sossegado. Assim, postos de combustível, mega-lojas, mercados, estacionamentos e etc podem ser locais de ótimo acolhimento e que na maioria das vezes NÃO OFERECERÃO ÁGUA E LUZ.

“GATO” já feito em definitivo

Situação da fiação do poste de iluminação da cidade após tantas gambiarras.

CONSCIENTIZAÇÃO: Ultimamente, de acordo com nossos feedbacks de avaliações de pontos de apoio e campings via APP MaCamp ou website, não é incomum ver caravanistas desconsiderando locais como “pontos de apoio” por não oferecerem tomada de luz. Pior ainda, telefonam ou chegam “exigindo” tal atrativo levando a uma reação extrema dos proprietários dos locais de não mais permitirem acesso de motor homes em suas áreas.

POSTOS DE COMBUSTÍVEL: Muito se fala que postos de estrada “deveriam” ser preparados para acolher RVs. Pois a maioria é preparada! Afinal de contas, quantos postos não acolhem caminhoneiros em seus pátios, muitas vezes oferecendo vigias e segurança a noite? Ocorre que os caminhoneiros não exigem tomadas de luz e contam com o livre uso de água nas bombas. E é claro e óbvio, consomem combustível ou até refeições naquele estabelecimento. É assim que os donos de postos podem ter condições financeiras de oferecer pátio e segurança gratuitos. Portanto, já que estamos apenas pernoitando para descansar da viagem e retornar no dia seguinte, porque não fazermos uso apenas dos recursos de nossas autonomias? Ao chegar no local, abasteça já perguntando se pode pernoitar ali junto aos demais caminhoneiros. Aproveite a água (quase sempre gratuita) ali na bomba para encher as caixas d’água e se possível utilize-se do restaurante e lojas de conveniência como forma de retribuição. Lançar água servida não será algo ruim se você procurar uma vaga junto a um canto ajardinado ou ao lado de uma boca de lobo – algo tão corriqueiro nos postos. E se caso o local oferecer mimos como luz elétrica, use com educação, moderação e responsabilidade.

O Resultado é a reação dos municípios.

COMPORTAMENTOS REPROVÁVEIS: Diversos são os comportamentos vistos por aí que não só mancham a reputação dos caravanistas, como também criam impedimentos da parte de moradores e prefeituras. Não é incomum vermos cidades do litoral de SC e do PR que já proíbem estacionamento e até circulação de motor homes. O mesmo começa a ocorrer em diversas regiões do Brasil, onde não faltam flagrantes.

  • GATO NA ELETRICIDADE: Sejam tomadas públicas, caixas padrão para eventos ou mesmo na fiação secundária, é comum vermos gambiarras feitas por motor homes. Na cidade de Paraty por exemplo, semanalmente flagramos “gatos” nos postes de iluminação. Muitas vezes nem a luz do dia e a fiação atravessando a ciclovia ativam a vergonha do viajante. O resultado é que semanalmente toda a praça e calçada beira-rio fica totalmente apagada devido à sobrecargas e curtos na rede.

  • TOLDOS ABERTOS / VARANDA NA VIA PÚBLICA: Há quem ache que locais públicos são campings. Não se importam em tomar a calçada ou a vaga vizinha para distribuir suas mesas e cadeiras, churrasqueiras e ali gozar de um quintal grátis a beira mar ou localização privilegiada.

-[Foto retirada a pedido do proprietário]-
Trailer  ocupando faixa de rodagem, toldo aberto sobre a calçada que era ocupada por mesa e cadeiras. Até as janelas basculantes estavam abertas para o leito carroçável.

FRAME RETIRADO DE VIDEO-FANTÁSTICO-REDE GLOBO

  • VARAIS: Também muito comum é vermos varais sendo estendidos em postes urbanos ou, pasmem, em playgrounds de pracinhas.

  • VILAS: Outra modalidade constante é a disposição de estacionar em “vila” aonde de forma desordenada os motor homes fazem uma “aldeia” para garantir um espaço mútuo e reservado em locais onde qualquer cidadão teria o direito de ali passar.

  • Soltar Esgoto: Pode parecer absurdo, mas acontece e muito. Sempre é justificado como “acidente”, o que a maioria das vezes pode ser mesmo, mas os devidos cuidados devem ser redobrados. Recentemente em Paraty-RJ flagramos este motor home argentino tendo despejado o tanque de detritos no ciclovia.
  • Ocupação e obstrução das calçadas: Como se não existissem transeuntes, não são raros os casos de ocupação e até fechamento das calçadas para formar as “varandas” dos RVs. Definitivamente, o espaço público não é o seu quintal!

LISTA DE BOAS PRÁTICAS DO CARAVANISTA DE ALMA – MaCamp

  • Estacionar em uma vaga delimitada e respeitando suas demarcações, legislação e pedestres.
  • Não abrir toldo e nem montar tentas do lado de fora.
  • Não instalar nada do lado de fora (Cadeiras, mesas, churrasqueiras e etc.)
  • Jamais fazer “Gatos” em luz elétrica de qualquer natureza.
  • Jamais fazer uso de torneiras públicas sem o consentimento aberto e geral do município.
  • Caso haja oferta de água e luz privadas ou públicas, jamais atrapalhar o passeio ou via pública com fios ou mangueiras.
  • Não abrir slide-out. Ele ocupa um espaço atípico ao veículo podendo ser atingido por outro que venha a estacionar ou manobrar ao lado. Caso abra, evite que o mesmo não ocupe locais de passagem ou vaga vizinha.
  • Evitar abrir janelas basculantes, principalmente pro lado carroçável da rua. Faça uso das claraboias.
  • Caso passe mais de um dia na cidade, procure parar mais de um local ou vaga.
  • Nunca solte esgoto.
  • Só solte água servida em locais ajardinados onde haja rápida absorção ou bueiros.
  • Cuide para que seu som ou TV não seja ouvido de fora.
  • Limite-se a usar antenas apenas instaladas no teto do RV. Jamais disponha de Sky no chão.
  • Lavar roupas só com a tulha fechada. Jamais estender roupas do lado de fora, mesmo que na janela.
  • Deixe para usar equipamentos externos no camping: Cozinha externa, frigobar, churrasqueira e tv.
  • Deixe seu PET dentro do veículo ou saia para passear.
  • Mantenha seu lixo dentro do veículo e descarte-o direto na lixeira.
  • Seja empático com o morador local, imaginando se algo que você faça poderia deixá-lo incomodado.

SEJA CAMPISTA DE ALMA!!!

O MaCamp DEFENDE ESTA IDEIA!!!

CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. "O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza."

11 COMENTÁRIOS

  1. A popularização de alguma coisa no Brasil geralmente leva à desordem, muito pela falta de educação e as vezes pela falta de conhecimento.
    Desde escutar música nos falantes do celular dentro do ônibus até esses casos de RV´s.

    Mas o que realmente falta é FISCALIZAÇÃO. Se houvesse vontade dos órgãos públicos, nada disso aconteceria.

  2. Marcos Pivari, parabéns pelo artigo sobre apoio aos veículos de recreio. Tenho motorhome a mais de 30 anos. Já perdi a conta das atitudes absurdas que vi. Quando vejo nas redes sociais a expressão “0800” faço questão de ignorar a postagem pois já imagino que vem de pessoas aproveitadoras, sem educação, que não respeitam absolutamente o outro, sua propriedade e seu direito. Já cheguei a mudar meu motorhome de local de tanta vergonha que santo ao ver as atitudes do proprietário do motorhome que se encontrava no mesmo local.
    Acho que o campismo está sendo tomado por pessoas que estão confundindo uma atividade saudável, respeitosa e responsável com oportunismo associado a vandalismo e desprezo pelo outro.
    Imagino que se essas atitudes não forem banidas do meio campista em alguns anos seremos vistos pela sociedade como párias.

  3. Meu caro Marcos, parabenizo-o pelo brilhante e mui bem escrito artigo. Oxalá ele seja lido, compreendido e difundido por muitos caravanistas. Importantíssima matéria !!! Forte abraço !

  4. A postagem bastante esclarecedora, mas sugiro abordar em outra oportunidade sobre a avaliação de locais onde não seja camping ou área urbana que seja possível realizar um acampamento, e que não polua visualmente o ambiente e não atrapalhe deslocamento de pessoas ou veículos por absoluta ausência dos mesmos, um viés com solução para algumas necessidades básicas dos viajantes.

    • Para acampar, se não é ponto de apoio (que vale os comentários do Marco), ou camping – que tem regras próprias…ai temos os acampamentos selvagens também conhecidos como “wild camping” …nesse caso estamos usando espaço de parques e florestas ou as vezes pedaços de terras particulares que permitem acampamento. Aqui a prática deve ser de deixar a área mais limpa do que encontrou. Infelizmente…varias vezes encontrei fezes humanas e papel higiênico a céu aberto no meio de trilhas. Isso é triste e lamentável…

      Não é porque é biodegradável que vc pode fazer isso. Todas as propriedades ou são publicas ou são privadas. Não existe “terra livre” onde voce pode fazer o que quiser sem se preocupar com o próximo

  5. Belíssima reportagem de Marcos Pivari. Infelizmente em toda sociedade temos aproveitadores, gente de baixo caráter e ética. Mas com artigos deste naipe certamente vamos educando aos poucos este pessoal.

  6. Caro Marcos, obrigado pelo artigo.
    Como sempre, sensato e bem posicionado. Sou um entusiasta do caravanismo. Viajo com meu Turiscar Imperial ha mais de 10 anos. Tenho visto cada vez mais exemplos assim que estão prejudicando o propósito do caravanismo. Pessoal parando em qualquer praça, largando águas negras no esgoto pluvial, não se importando com o odor ou contaminação. Já teve posto de gasolina em rodovia federal que me proibiu de pernoitar pq eram recorrentes estes problemas.

    Essa coisa do “0800” é algo que está crescendo e distorcendo o propósito do caravanismo. Vejo cada vez mais “youtubers” se vangloriando de não pagar por uma estadia em um camping, onde há estrutura adequada de agua, energia e banheiros e ostentando um “lifestyle de aventureiros” onde vivem sem higiene adequada, se alimentam mal, se orgulham de não pagar por serviços mínimos e se expõem a riscos desnecessários, pernoitando em lugares perigosos, sema mínima segurança.

    Enquanto isso, os campings no Brasil vão minguando, minguando…

  7. otimo artigo . mas ai que entra o historico de campismo. as pessoas que nao começaram acampando (seja muchilao ou motorisado). aqueles que afirmam EU TENHO DINHEIRO, TENHO MEU MOTORHOME E SOU MELHOR QUE VC.nos que temos um historico de campismo e ja vivemos muitas aventuras. teremos de sofrer e suportar as consequencias destas atitudes . sabemos que muitos apoiadores começarao a selecionar os mhs que irao ajudar em suas cidades. nao adianta nada ter um mh de milhao se nao temos a consiencia e cultura de valorisar o destino que escolhemos para conhecer e apreciar. havera a perda de locais para mhs em cidades e locais turisticos por concesquencia de uns poucos ….

  8. Quero acreditar na conscientização dos nossos colegas caravanistas na proteção, manutenção e conservação civilizada dos locais de apoio que usufruimos, afinal, todos em algum dado momento podem necessitar deste benefício. Principalmente em locais em que não há campings. Boa matéria, parabéns!

  9. Infelizmente essas atitudes devem ser condenadas e não apenas pelas autoridades fiscalizatórias, mas também nós caravanistas que não podemos nos omitir. Caso identifique uma situação dessas, com jeito e uma conversa introdutória deve alertar e orientar para o perigo de sermos todos condenados a vermos a cada dia reduzir os espaços de apoio.

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