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No último dia 7 de julho a entidade Camping Clube do Brasil completou 60 anos de existência. Apesar das condições atuais ruins de patrimônio e administração, a associação foi a única do país a manter atividade mesmo nos tempos áureos do campismo e atravessou a virada do século com 13 áreas de camping abertas. O Arquiteto Ricardo Menescal foi a figura mais emblemática da entidade, falecido em 2014. A associação que chegou a ter 65 áreas de camping é parte da história do campismo do Brasil e seu desenvolvimento.

HISTÓRIA: De um outro ponto de vista, o CCB poderia ter já 62 anos de idade. Uma pré-entidade denominada “camping Clube do Brasil” nasceu em 1964 que chegou a ter 150 sócios, mas não avançou. No ano seguinte a FLUMITUR do Rio de Janeiro lançaria uma cadeira de campings que venderia 4.000 títulos de propriedade, mas segundo relatos históricos os campings de cara já estavam sucateados em pouco tempo. Foi em uma assembleia liderada pelos irmãos Menescal e Claudio Arroxelas em 1966 que se procedeu a reestruturação daquele clube. O primeiro camping foi o do Clube dos 500 em Guaratinguetá que está ativo até hoje. O Camping de Cabo Frio (o extinto) seria um dos principais campos-escola do setor. Em 1973 o CCB contava com 34 campings e 35 mil sócios e em 1980 49 áreas, mas cerca de 65 já fizeram parte dos poucos 13 que funcionam hoje. Listar os mais icônicos seria um exercício de memória pessoal, já que muitos marcaram as vidas de muitos campistas.

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CONFLITOS: O Campismo se desenvolveu de forma abrupta em um Brasil que tinha tudo a ver com a modalidade. Na época não existiam tantos equipamentos e facilidades turísticas em um setor hoteleiro para os ricos. A nova classe média encontrava no camping a receita perfeita para conhecer lugares, fugir da cidade grande e curtir a natureza dentro de um novo estilo de vida. Barracas carretas, trailers e motor homes dominavam as novas cidades turísticas e um público de viajantes campistas crescia a cada ano. No início era somente comprar o título e acampar sem custos. Depois vieram a cobrança de diárias. Depois a pré-cobrança de diárias, através da modalidade das “cartelas” (a mais aprovada até hoje pelos antigos usuários): A cada semestre o associado fazia o pagamento antecipado de um número específico de pernoites que poderiam ser utilizados em qualquer camping da rede durante o período. A grande perda de sócios do CCB veio na década de 1990 quando as cartelas deixaram de existir e deram lugar às mensalidades. Alí o sócio que já havia desembolsado um bom valor no título, agora seria obrigado a pagar uma taxa mensal sem  nenhum direito a uso dos campings que continuavam cobrando os pernoites. Depois veio a cobrança de pernoite de equipamentos, pets, luz elétrica e, durante um tempo, até taxa de esgoto havia em um dos campings da rede. Hoje um associado paga cerca de R$ 6.000,00 no título e, após o primeiro ano, passa a pagar pouco mais de R$ 2.600,00 por ano de taxas mensais. No camping, pagará os pernoites normalmente em tabela específica. O cálculo de padaria somente faz valer a pena quem possui equipamentos fixos ou faz uso muito frequente dos campings do CCB que vem perdendo áreas nos últimos anos. O artifício de passaportes, cartão aventura e descontos para outras entidades fez perder demais a vantagem de ser sócio do CCB. (Fizemos um artigo há algum tempo sobre o tema)

Camping de Paraty-RJ quando a areia chegava na porta

FUTURO: O amanhã é incerto, mas assim é há décadas. Enquanto houver alma de campismo, existirá também o desejo de que a entidade possa se manter como puder.

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Marcos Pivari
CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Jornalista por função e registro, é fundador do Portal MaCamp Campismo e sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. "O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza."