O campismo no Brasil teve uma fase de ampla expansão depois estacionou e até mesmo declinou.

E agora, para onde vamos?

Os equipamentos de camping se modernizaram – mais leves, eficientes e baratos, o que deveria contribuir para o crescimento do campismo no país. Mas não aconteceu.
Nos EUA, e na Europa com estações climáticas bem definidas há uma “cultura da vida ao ar livre”.  As crianças desde cedo participam dessas atividades.  Nos EUA, dos 38 milhões de campistas em 2012, 22.8 milhões começaram a acampar antes dos 6 anos de idade.

Daí a quantidade de campings organizados, áreas de acampamento em parques naturais.  Enquanto no Brasil os parques são considerados pelas autoridades “tabus” para a visitação, nos Estados Unidos é uma significativa fonte de receita em função de intensa visitação.

Os Estados Unidos tem aproximadamente 16.000 campings sendo 4.400 em parques estaduais e nacionais.
Na América do Sul, Argentina, Chile e Uruguai acampar também é um hábito popular, daí o grande número de áreas de camping.

No Brasil, embora o turismo aventura e as atividades ao ar livre – corridas, canoismo, ciclismo – tenham expressivo crescimento, essa cultura não trouxe reflexos para o campismo.

Há uma acomodação das famílias em relação a vida ao ar livre.

O Camping Clube do Brasil com a visão do Ricardo Menescal, seu fundador, foi o incentivador do campismo no país implantando áreas de acampamento em vários destinos turísticos.  Até hoje quando se refere a “campismo” a primeira referência é o CCB.

O camping é um meio de hospedagem alternativo como albergues e “cama e café”.  Esses dois meios vem buscando se adaptar às novas demandas de hospedagem oferecendo serviços e preços que atendam à expectativa da clientela.  O que não ocorre com os campings, com poucas e honrosas exceções.  Mas a dificuldade mais critica para a sobrevivência dos campings é a especulação imobiliária que dependendo da situação do terreno, a valorização se torna incompatível com a destinação.  Isso vem acontecendo em vários locais do país, especialmente no litoral.

Outro fator a ser considerado é a sazonalidade e os custos de manutenção.  Essa mesma situação afeta outros meios de hospedagem em cidades turísticas que têm buscado soluções criativas para enfrentar os períodos de baixa ocupação.

O camping não é apenas uma área de acampamento, mas de multiuso: pode e deve diversificar seus meios de hospedagem como alojamento, albergue ou cabanas, o que atrai clientela variada e atenua a sazonalidade.  Deve ser um ponto de encontro da comunidade, promovendo eventos locais e atraindo jovens para despertar os campistas de amanhã com programas de educação ambiental e convivência com a natureza.

Veículos de recreação constituem um segmento que vem aumentando no país, mas nem todos os campings estão equipados para atendê-los. Por outro lado, é preciso que os caravanistas prestigiem e utilizem os campings, onde houver, em vez de “esmolar” eletricidade e água em postos de serviço ou barracas de praia. Fazer encontros menores, quando possível, prestigiando os campings existentes.

“Alguém pode me informar se existe camping na localidade X ?”

É uma consulta frequente que vejo em e-mails.

Evidencia a carência de informação e promoção dos campings, que deve ser ativa através de e-mails, redes sociais e outros meios de promoção.  Ficar sentado esperando o cliente chegar é dar “um tiro no pé”.

Hoje em dia a maioria dos turistas viaja com seu notebook, tablet e/ou smartphone.  Disponibilizar uma rede wi-fi não é luxo, mas necessidade dos tempos atuais. É o que fazem outros meios de hospedagem. Estatísticas de turismo mostram que o acesso à internet é fator decisivo na escolha do meio de hospedagem.

Autoridades de turismo do país nos níveis federal, estadual e municipal, ainda não se conscientizaram da importância do campismo na formação de uma consciência ecológica.  Empresários do setor, associações de proprietários de veículos de recreação – segmento muito ativo na promoção do campismo – e a ABRACAMPING encontram muita dificuldade em seus contatos e proposições às autoridades.

Em outros países onde se realizaram Copas do Mundo, os campings foram meios de hospedagem muito utilizados.  A ABRACAMPING, desde 2009, vem mantendo contatos com autoridades de turismo para promover a implantação de áreas de acampamento nas cidades sedes de jogos da Copa onde não existem campings, e obter financiamento para a melhoria daqueles em funcionamento.  Infelizmente tem sido uma “pregação no deserto”, até agora.

Só a Secretaria de Turismo do DF atendeu a essa proposta e está construindo um camping muito bem localizado.

Na verdade é um problema cultural – hoje é moda falar sobre meio ambiente, mas pouco se faz para uma convivência mais intensa.

Promover o campismo é uma obrigação de todos nós.  Não adianta reclamar, há que fazer.  A começar na família, levando filhos, netos, jovens para compartilhar uma estadia acampando.

Os desafios da vida moderna são muito atraentes, mas tem levado ao imobilismo e ao comodismo.

“Vamos sacudir a poeira e dar a volta por cima”, já cantava um antigo samba.

Luiz Edgar Tostes

 

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Colunista: Luiz Edgar Tostes

Administrador, diretor da ABRACAMPING, membro do grupo de caravanistas “Gaviões do Planalto”. Campista desde 1970. Além do Brasil, já viajou de motorhome nos EUA, Europa e parte da América do Sul.
leptostes@gmail.com