O Brasil é o campeão mundial em incidência de raios. Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) são cerca de 50 milhões de raios por ano.  E no país a região Centro Oeste é onde há maior incidência, com média anual de 40 mil descargas elétricas.

A temporada de raios ocorre entre outubro e março, com maior concentração no verão.
A cada 50 mortes por raios no mundo, uma acontece no Brasil.  É estimado que 130 pessoas por ano morrem no país e cerca de 500 ficam feridas.  Em 2014, até novembro, morreram 84 pessoas.
A maioria das pessoas morre por não conhecer os cuidados de prevenção em uma tempestade com raios.O que são raios?
Raios são descargas elétricas de grande intensidade que acontecem na atmosfera e atingem o solo.Qual a diferença entre raios e relâmpagos?
Relâmpagos são descargas elétricas geradas por nuvens de tempestades.  Raios são aquelas descargas que saindo da nuvem atingem o solo.Onde a descarga elétrica acontece?
Com um cálculo bastante simples é possível determinar a distância entre nós e o “local de queda” do raio.  Ao vermos o clarão do relâmpago, devemos marcar o tempo até escutarmos o barulho do trovão.  O modo mais fácil de contar o tempo, por aproximação, é contar compassadamente de 1 até ouvir o trovão.  Divida esse numero por 3 e a resposta será a distância aproximada , em quilômetros, do local da queda.  A margem de erro é de 20%.  Quando não ouvir o trovão após o clarão do relâmpago, significa que o raio caiu a mais de 20 km.

Cuidados no acampamento

Dicas e procedimentos simples que podem salvar sua vida:
Saia da barraca – sair da barraca e procurar um local abrigado, principalmente se a barraca estiver em local descampado.  Ela poderá atrair raios.

Não fique deitado – Quando um raio cai, o chão fica energizado e, se você estiver deitado nele, poderá ser atingido indiretamente.  Deitado em uma esteira isolante ou aluminizada também é perigoso.  Se o raio cair nas proximidades e você estiver deitado, a corrente atingirá toda a extensão do corpo.
Não seja o ponto mais alto – Topos de morros, colinas, locais altos e elevações são perigosos.  Descampados, campos de futebol, pastos, beiras de lagos, praias, também oferecem riscos.  Se você é o ponto mais alto, oferece riscos.
Árvores – árvores atraem raios.  Fique longe de árvores.  Não acampe sob árvores.

Afaste-se de objetos metálicos – Bicicletas, motos, cercas de arame, varais metálicos, postes, mastros, linhas de transmissão, linhas de trem, etc., oferecem riscos por serem bons condutores e podem conduzir a descarga até você.  Proteger-se em quiosques, paradas de ônibus ou qualquer tipo de abrigo com cobertura metálica também oferecem perigo.
Saia imediatamente da água (mar, lagoa, piscina) ou locais alagados – A água conduz facilmente a eletricidade e a descarga se propaga por longas distâncias.  Quando um raio cai na água pode atingir uma pessoa que esteja até 5 km de distância do local da queda.  Por mais que a tempestade esteja longe saia imediatamente da água.

Como se proteger

Abrigo – entre em alguma estrutura como casas, edifícios, galpões, cavernas.  Após o termino da tempestade, aguarde um tempo antes de sair, pois o solo pode estar energizado e você poderá ser atingido por corrente indireta.
Auto – havendo um auto por perto, entre e feche as portas e janelas, sem tocar na lataria ou partes externas.  Mesmo que o auto seja atingido por um raio a descarga não chegará à parte interna.  É o principio físico da “Gaiola de Faraday”.
Trailer ou motorhome – o procedimento é o mesmo adotado para os autos; importante manter portas e janelas fechados e desligar a eletricidade da tomada de energia do camping.
Sem estrutura – se estiver em local aberto sem qualquer abrigo, agache-se somente com os pés no chão (encostados um ao outro) e com o corpo em formato de “bolinha”
para que você não seja um ponto alto que atraia raio. Jamais sente ou deite no chão.
Momentos antes de ocorrer uma descarga próxima, as pessoas sentem seus pelos arrepiados ou a pele coçando, indícios da atividade elétrica.  Não entre em pânico.  Adote a posição da “bolinha”.

A chance de uma pessoa ser atingida por um raio está em torno de 1 para 1 milhão.  Mas não facilite, você pode ser “premiado”.  É morte certa; são raros os casos de sobrevivência.

Luiz Edgar Tostes

Fontes de consulta:INPE – Instituto de Pesquisas EspaciaisGoverno do Paraná – Dept. Defesa CivilUOLUniversidade Federal do Rio de JaneiroNational Outdoor Leadership SchoolSite: campingtotal.blogspot.com.br

 

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Colunista: Luiz Edgar Tostes
Administrador, diretor da ABRACAMPING, membro do grupo de caravanistas “Gaviões do Planalto”. Campista desde 1970. Além do Brasil, já viajou de motorhome nos EUA, Europa e parte da América do Sul. leptostes@gmail.com