Publicidade:
 

Ponta Grossa-PR volta a entrar na pauta do caravanismo nacional em um daqueles casos que mostram como o desenvolvimento do setor ainda depende de diálogo entre poder público, planejamento e entendimento sobre o que realmente significa receber veículos de recreação. Nos últimos dias repercutiu a notícia de que o Parque Monteiro Lobato poderá contar com um ponto de apoio para RVs (veículos de recreação), incluindo motorhomes e trailers. Para quem acompanha o tema mais de perto, a informação gerou estranhamento imediato: afinal, o mesmo projeto havia sido vetado pela prefeitura poucos meses antes.

O projeto nasceu ainda em 2025 com o objetivo de regulamentar a atividade caravanista em Ponta Grossa e criar um espaço organizado para recepção de viajantes sobre rodas. Entre as medidas previstas estavam vagas específicas para RVs, permanência limitada e regras de utilização que diferenciavam claramente o conceito de ponto de apoio de um camping tradicional. Na época, a proposta chamou atenção por colocar Ponta Grossa dentro de uma tendência que cresce em todo o Brasil: cidades estruturando áreas oficiais para receber o turismo itinerante em vez de simplesmente ignorar ou restringir a atividade.

Publicidade:

Em abril veio o freio: O Executivo municipal vetou integralmente o texto argumentando que havia questões jurídicas relacionadas à iniciativa do projeto, além da ausência de orçamento definido e estudos técnicos para implantação. Também foram levantadas dúvidas sobre a compatibilidade do uso do Parque Monteiro Lobato com permanência de veículos de recreação e possíveis impactos ambientais. Porém, o tema seguiu tramitando e voltou ao radar. Registros legislativos posteriores mostram avanço institucional da regulamentação, indicando que o debate não morreu e que houve continuidade do processo após o veto.

O caso de Ponta Grossa acaba revelando um cenário que se repete em diversas cidades brasileiras: existe interesse em captar o turismo sobre rodas, mas ainda falta compreensão técnica sobre a diferença entre estacionamento, ponto de apoio e camping. Receber RVs não significa transformar um parque em área de ocupação desordenada. Quando bem planejado, um ponto de apoio normalmente trabalha com permanência limitada, descarte correto de resíduos, abastecimento controlado e regras claras de uso — modelo já adotado em diversos destinos. Agora resta acompanhar como Ponta Grossa pretende transformar o texto em realidade prática. Porque entre aprovar uma lei e efetivamente entregar uma estrutura funcional existe uma estrada longa — e quem vive o caravanismo sabe disso melhor do que ninguém.

O fato é que o tema voltou à mesa. E isso, por si só, já recoloca a cidade no mapa da discussão sobre turismo sobre rodas no Brasil. Apesar da página oficial do projeto de lei 425/2025 constar como “vetado e arquivado”, o anexo “veto à Lei” reabre a discussão.

Publicidade:
Marcos Pivari
CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Jornalista por função e registro, é fundador do Portal MaCamp Campismo e sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. "O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza."