O mundo dos compactos chegou nas panelas. Apesar do campista já contar há tempos com fogareiros, cartuchos de gás, pratos e talheres com grande capacidade de compactação, as panelas ainda acabavam sendo um volume necessário. Será o fim desta preocupação? Uma panela retrátil de silicone que fica com as dimensões de um prato fundo já poderia ser imaginável. Mas será que funciona? O MaCamp testou…

Fomos até dois lugares paradisíacos para testar nossa Panela Retrátil X-Pot da Sea To Summit. O cenário do Canyon Fortaleza no Parque da Serra Geral (Rio Grande do Sul) e no quase reinaugurado camping do Parque Estadual do Marumbi no Paraná. O teste inclui uma receita simples de uma macarronada feita em uma panela só, com ingredientes naturais e saudáveis provando que um campista não precisa se restringir ao Miojo como muitos pensam.

A princípio o produto desperta total desejo por sua concepção. Leve, dobrável, tampa com furos escorredores e um design bem moderno – quase fictício para quem nunca viu. A dúvida fica a cargo da eficiência da lateral de silicone resistir ao fogo, já que a capacidade do recipiente não deixa dúvidas da suficiência: 2.8Litros.

Não foi somente a questão da resistência do silicone e da estética que a Sea To Summit se preocupou. A panela possui vários detalhes super bem pensados para o uso outdoor. Vamos a eles:

– Alças suficientes para a “pega” que também servem para prender a tampa tanto no momento da guarda quanto no momento do escorrimento da água.
– Anel estrutural interno na borda para total rigidez da mesma.
– Medidas de volume no próprio corpo interno, tanto em litros, quanto em xícaras.
– Tampa transparente para acompanhar o cozimento sem perder caloria com abertura, apesar de que quando quente o vapor não permite tal visão.
– Furos na tampa para escorrimento de água sem que seja preciso auxílio de coador externo. Os furos também servem para exaustão de vapor.
– Puxador da Tampa também em silicone pode ser dobrado quando guardada.
– Fundo metálico para contato com o fogo, com marcação de limite de atuação.

USO NA PRÁTICA

Alguns cuidados devem ser tomados, já que o produto específico para campismo e aventura possui óbvias limitações em relação às panelas comuns. A primeira cautela é em relação ao fogão. A X-POT foi concebida para o uso em fogareiros de camping e não para fogões domésticos. A questão chave está na dimensão da boca. Os fogareiros de camping possuem um “círculo de fogo” de raio bem menor que um fogão caseiro. Este deve ser evitado, pois o fogo ultrapassa a linha de segurança gravada no fundo metálico da panela fazendo com que o fogo suba para a lateral de silicone e o queime. O silicone é resistente a altas temperaturas e não ao fogo. O segundo cuidado é que, quando quente, o sistema retrátil de silicone fica mais mole do que no primeiro manuseio quando frio. Portanto deve-se tomar bastante cuidado para evitar a força vertical para baixo da borda da panela, pois ela pode se recolher com mais facilidade derramando a comida ou água no interior.

Muitas pessoas sentirão falta de um revestimento antiaderente no fundo metálico da X-POT, mas ao nosso ver isto é positivo quando da preocupação inicial em relação ao silicone. É sabido que o teflon libera elementos químicos prejudiciais à saúde, sendo classificados inclusive como cancerígenos. A ausência dele na panela vem acompanhar o conceito do fabricante sobre o silicone que é especial para uso alimentício e resistente à altas temperaturas. Pensamos que a transição do metal com antiaderente para o silicone poderia liberar ainda mais do teflon, passando para a comida. Realmente o fundo de alumínio da panela não possui a mesma eficiência na lavagem em relação aos antiaderentes, mas nada que uma lavagem um pouquinho mais caprichada não resolva. Além disso a comida no camping ou na trilha é geralmente caudalosa, diminuindo as chances de grudar. Na pior das hipóteses, a praticidade do recolhimento da panela fica aliado ao fato de poder guardá-la tampada ainda suja para a lavagem posterior.

TESTES E RECEITA:

Vamos falar de nossos testes unindo a tarefa à uma receita bem básica e saudável para se fazer no camping. Trata-se de uma macarronada tradicional (não instantânea) com molho feito em uma só panela e sem a necessidade de escorrimento da água. Além do desconforto, escorrer o macarrão gasta mais água e acaba se jogando fora muitos dos nutrientes presentes na massa. Nossa receita além de resultar em um macarrão mais encorpado, leva nossa busca pelo consumo de alimentos saudáveis e orgânicos. Os ingredientes são: Macarrão grano duro (trigo durum e não massa de sêmola); Tomates-cereja orgânicos; Alho, Azeite e Sal.


Macarrão com ingredientes orgânicos feito todo em uma só panela (sem escorrer)

Primeiramente utilizamos a panela em um fogareiro horizontal, apesar de estarmos em um local com acesso por trilha e mochila. Este possui a chama pequena como exige os limites da panela, assim como acontece com os mini-fogareiros portáteis, os convencionais para botijão de 2kg e até mesmo os fogareiros de duas bocas para camping. Tomamos o cuidado de fazer uma boa lavagem da panela em casa no momento que adquirimos e acondicioná-la em um saco plástico para não sujar seu interior através dos furos da tampa. Aí foi só fazer o movimento de pressão no fundo da panela com uma mão e segurar uma das alças para a fácil “montagem”.

Iniciamos a preparação da receita pelo azeite que ajudará a “untar”o fundo e refogar os ingredientes do molho. Adicionamos uma cabeça de alho cortada ao meio e outra fatiada. Um pouco de sal e nosso toque de gosto pessoal: pimenta calabresa. Liga-se o fogo para refogar os ingredientes iniciais e na sequência já adicionamos os tomates-cereja previamente lavados. Cortados ao meio, hidratarão o macarrão deixando-o mais encorpado. Após o refogamento de tudo é hora de adicionar o macarrão. Preferimos usar a variedade “parafuso” ou “Penne”, já que fica mais fácil de controlar o ponto “al dente”, além de ser mais fácil de comer do que os spaguettis. A borda da panela se mostrou incrivelmente estável, devido ao anel metálico que a mantém rígida e expandida. É preciso extremo cuidado para não se aplicar qualquer força para baixo, já que a lateral de silicone quando quente se torna bem mais mole. (Este tipo de acidente acontece quando se deseja prender a tampa com os pegadores na hora do escorrimento. Deve-se puxar o pegador em direção ao puxador da tampa para o devido encaixe e não pressioná-lo sobre a tampa)


Azeite para untar e refogar o tempero | Alho picado

   

Pimenta calabresa e tomates-cereja picados.

Depois é só adicionar água até atingir a altura dos ingredientes na panela e nada mais. É hora de se atentar para a marcação que baliza o limite de segurança não deixando a água ultrapassá-lo. Nesta receita não se fizeram necessárias as marcações de volume, mas certamente serão de grande valia para o uso futuro.


Graduação em Xícaras e Litros.

O uso da tampa fechada é essencial e os furos do escorrimento são bastante convenientes para a fuga do vapor que poderia retardar muito o tempo de cozimento. O segredo desta receita está em mexer algumas vezes para que nada se prenda ao fundo da panela, além de promover o cozimento uniforme de toda a massa.


Furos na tampa não servem só para o escorrimento de água, mas também para exaurir o vapor evitando pingar.

A pouca quantidade de água utilizada é suficiente para hidratar o macarrão, evaporar e deixá-lo bem suculento. Além de retermos ali todos os nutrientes, o molho fica encorpado e agregado à massa, dando uma sensação se saciedade bem maior. De qualquer forma trata-se de uma sugestão de receita e não uma regra e o sistema do casamento da tampa e do corpo da panela se faz imensamente favorável ao ato de escorrimento, onde as alças maleáveis também servem para prender a tampa na panela e servir de “pega” no ato de entornar o produto escorrendo-se a água através dos furos projetados para este fim. Corpo e alça de silicone e a tampa plástica acabam não transferindo caloria para as mãos completando a segurança e o conforto deste trabalho até então bem “chato” no método tradicional.


Furos escorredores servem também para liberar o vapor no cozimento.

Ao final de um delicioso almoço, aproveitamos o fato de que estávamos instalados em um camping para não se preocupar com a limpeza da panela. Apenas passamos um guardanapo de papel retirando os resíduos mais líquidos para não vazar no caminho, compactamos a panela e prendemos a tampa à ela. A lavagem seria feita lá no camping depois de nossa chegada. Os talheres de plástico nós levamos dentro da panela, aproveitando um pequeno espaço que sobra quando compactada e aproveitamos na mesma filosofia para levar embora sem a necessidade de lavá-los.


Pode ser guardada suja para lavar no acampamento base. Fica bem compacta na mochila

O volume e peso da panela compactada se fizeram desprezíveis em nossa mochila.

Confira um video da receita na prática:

Conclusão MaCamp:

A panela, inicialmente perfeita para uso em trilhas e montanhismo, se faz imensamente conveniente também no campismo familiar. Ela pode ser encaixada muito facilmente na tralha, na mochila e configura vantagem até mesmo para aqueles campistas que possuem uma imensidão de equipamentos. As panelas tradicionais são, de longe, um dos mais desconfortáveis utensílios a serem encaixados na bagagem. Em comparação com panelas específicas de campismo e montanhismo, a X-POT dá um baile em volume, já que as panelas tradicionais outdoor são de muito baixa capacidade.

A única dúvida que ficará para nós avaliarmos ao longo do tempo é sobre a durabilidade deste silicone ao passar dos anos. Sendo testada no mês de julho de 2015, talvez você campista possa ajudar a nos lembrar deste feedback daqui 5 anos ou mais.

Marcos Pivari

MEDIDAS:

22cm de diâmetro total externo
20cm de diâmetro interno da borda
4,2cm de altura com a panela fechada
12,5cm de altura total da panela aberta e tampada
Peso: 339g (aferidos no review)

ESTA PANELA X-POT SEA TO SUMMIT FOI GENTILMENTE CEDIDA PELA ARTENAMATA.com.br


 

 

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CEO e Editor do MaCamp | Campista de alma de nascimento e fomentador da prática e da filosofia. Arquiteto por formação e pesquisador do campismo brasileiro por paixão. Fundador do Portal MaCamp Campismo sonha em ajudar a desenvolver no país a prática de camping nômade e de caravanismo explorando com consciência o incrível POTENCIAL natural e climático brasileiro. “O campismo naturaliza o ser humano e ajuda a integrá-lo com a natureza.”